O ecossistema de criptoativos Patex, que surgiu como uma dissidência da blockchain Optimism, prevê estrear uma plataforma completa de criptomoedas no início de 2024 na América Latina. A operação, avaliada em US$ 100 milhões, começará pelo Brasil.
Além da negociação de criptomoedas, a Patex terá um foco especial na educação dos usuários com uma espécie de campus virtual que oferecerá uma série de cursos gratuitos e pagos sobre criptoativos, blockchain e web3. Também terá especializações no universo digital voltadas a profissionais com carreiras já estabelecidas, como marketing e contabilidade, entre outras.
A plataforma também pretende incentivar parcerias com startups e comunidades de criptoativos para estimular o uso e o desenvolvimento de projetos em sua blockchain. Para isso, a Patex criou um programa de fidelidade que funciona como uma espécie de “cashback” que remunera os usuários com tokens nativos conforme utilizem a rede. A ideia é que, quanto mais negócios e projetos tragam para a blockchain, mais ganhem com o engajamento na rede.
O principal investidor da plataforma é a gestora brasileira Acura Capital, que tem mais de R$ 7 bilhões sob gestão e trabalha com ativos alternativos como créditos ligados a ações judiciais (“legal claims”), além de investimentos no exterior, multimercados estruturados e fundos de renda variável em geral. A Acura está ajudando no desenvolvimento de um banco digital, com ligação via Pix, para integrar com os serviços oferecidos pela plataforma de criptoativos.
No Brasil, a operação será comandada por Ricardo Da Ros, executivo que liderou as equipes iniciais da Binance, Ripio e Crypto.com no país. Especialista em implantar operações estrangeiras de criptoativos no Brasil, o executivo afirma que busca um lugar para a Patex entre as plataformas locais, mais sintonizadas com o “pulso do mercado” e forte no atendimento ao consumidor, mas com variedade de produtos e serviços de porte internacional.
“Tem esse vácuo no meio e é essa oportunidade que enxergamos. Estamos 98% prontos em termos de desenvolvimento, tecnologia e plataforma”, disse Da Ros.
Também estão na equipe da Patex Henrique Marinho, ex Huobi e CoinEx, que será responsável por desenvolvimento de negócios (CBDO). Marcos Reis, que passou pelo Itaú e BTG Pactual, será o líder da área de segurança da informação (CISO).
De acordo com Da Ros, o ecossistema chega para impulsionar a adoção da tecnologia blockchain na América Latina e ajudar na construção de um mercado mais profissionalizado e aderente às exigências regulatórias locais de operação e compliance, como “Conheça seu Cliente” (KyC) e antilavagem (AML).
A Patex é uma blockchain que surgiu a partir dos códigos da Optimism, daí falar que se trata de uma dissidência – “fork”, no jargão do mundo “cripto”. Por sua vez, a Optimism foi construída como segunda camada (layer 2) do Ethereum, maior blockchain em atividade no mundo, com objetivo de ampliar a escala e reduzir custo de operação. Normalmente, as blockchains de segunda camada são criadas para resolver gargalos da rede mãe.
“Nossa rede adiciona funcionalidades, mas toda a segurança e confiabilidade da Patex vem da blockchain Ethereum. Queremos que, cada vez mais, nossa plataforma contribua para que as pessoas migrem para a web3”, disse o executivo, se referindo às funcionalidades da tecnologia digitais.
Fonte: Valor Econômico






