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Início Investimentos Exterior

Por que o dólar subiu e depois recuou após a eleição de Trump? Compreenda

Carla Santiago por Carla Santiago
3 de fevereiro de 2025
em Exterior
Por que o dólar subiu e depois recuou após a eleição de Trump? Compreenda

Fonte: Band

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O dólar comercial chegou a subir quase 2% em relação ao real na abertura dos negócios, em meio às primeiras reações à vitória do republicano Donald Trump na corrida pela Casa Branca, mas perdeu força e opera com leve baixa no início da tarde desta última quarta-feira (06).

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, contribuiu para a desaceleração, ao afirmar em Brasília que a rodada de reuniões entre ministros para tratar das medidas fiscais está concluída, o que também amenizou a alta dos juros futuros.

Mais cedo, o movimento de alta refletia a percepção de que as políticas de Trump serão inflacionárias, entre elas a alta de tarifas de importação, o bloqueio a imigrantes e a redução de impostos, o que exigirá juros mais elevados nos EUA.

Cortes de juros menos acentuados por lá acabam fortalecendo o dólar ante o real em meio ao enfraquecimento do movimento de carry trade (em que o investidor toma dinheiro emprestado barato em moeda forte e depois investe em outra com rendimentos mais elevados).

Contudo, após um período de nervosismo no início da sessão com as primeiras reações ao Trump e depois com as falas de Haddad, o movimento do câmbio atenuou, levando em conta também que o problema fiscal doméstico tem sido um fator de peso para o avanço da moeda americana.

Além disso, acontece nesta quarta a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC), que deve elevar a Selic, hoje em 10,75% ao ano, em 0,5 ponto percentual (para 11,25%), o que mantém o Brasil com rendimento ainda visto como atrativo apesar dos juros mais altos nos EUA.

Qual a cotação do dólar?

Às 12h26 de ontem (06), o dólar à vista operava com baixa de 0,08%, cotado a R$ 5,742 na compra e na venda. Na máxima, chegou a bater R$ 5,862. Na B3 o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,82%, a 5.813 pontos.

Na terça-feira, o dólar à vista fechou o dia em baixa de 0,62%, cotado a 5,7472 reais.

O Banco Central fará nesta sessão leilão de até 14.000 contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 2 de dezembro de 2024.

Dólar comercial

  • Compra: R$ 5,742
  • Venda: R$ 5,742

Dólar turismo

  • Compra: R$ 5,87
  • Venda: R$ 6,05

O que aconteceu com o dólar?

A concretização da vitória de Trump retomou os temores dos mercados globais por suas promessas econômicas, que incluem tarifas e cortes de impostos. Na visão de analistas, a natureza inflacionária das políticas do republicano geraria necessidade de a taxa de juros dos EUA permanecer em um nível elevado.

“O movimento está coerente com o discurso protecionista do Trump, de tarifas mais altas e redução de impostos. O cenário é de juros mais altos e dólar mais forte no longo prazo”, comentou o economista-chefe do banco Bmg, Flavio Serrano.

“Mas no Brasil houve muito mais uma alta por conta do fiscal distorcido, que levou os juros a níveis mais altos e deixou o dólar mais forte. Na teoria, com o fiscal acertado no Brasil, seria possível corrigir a alta que vimos nos últimos meses”, acrescentou Serrano.

Sobre isso, Haddad afirmou nesta manhã em Brasília que, finalizadas as discussões entre ministros, o próximo passo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva provavelmente será pedir conversas com os presidentes das duas Casas do Congresso, para que se discuta o envio das medidas fiscais para análise dos parlamentares.

“A vitória de Trump, de forma acachapante e um fortalecimento muito grande dos republicanos, reforça a ideia de que haverá mais protecionismo, uma tendência maior à pressão inflacionária e consequentemente a elevação da taxa de juros”, disse Gesner Oliveira, sócio da GO Associados e professor da FGV.

Ainda na seara nacional, os destaques ficam por conta da decisão de política monetária do Banco Central e balanços corporativos.

(Com Reuters)

Tags: dinheiroexterior

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