O Goldman Sachs considera que os mercados acionários dos Estados Unidos já colocaram no preço dos ativos boa parte do cenário otimista de “goldilocks” (do inglês, “cachinhos dourados”, uma referência do mercado à busca pelo equilíbrio, que é narrada na fábula).
Embora acredite em um movimento de alta gradual das ações americanas em 2024, o time de profissionais liderados pelo vice-presidente de estratégia de ações americanas, Ryan Hammond, acredita que há um risco de que as previsões mais positivas sejam frustradas e, por isso, recomenda aos investidores que busquem proteção.
Este cenário de “goldilocks” citado pelo Goldman consiste em uma desaceleração gradual da economia e da inflação americana, o que permitiria ao Federal Reserve (Fed, banco central americano) reduzir os juros em um ritmo próximo ao que os investidores preveem hoje.
Dados do CME Group mostram que a expectativa majoritária do mercado é de início do ciclo de cortes do banco central americano já em março do ano que vem, para uma redução que leve o juro básico dos EUA a cerca de 4% em dezembro de 2024, mais de 1 ponto percentual abaixo da taxa atual de 5,25% a 5,5%.
Para o time de estrategistas do Goldman, a precificação do mercado sobre o corte de juros está atingindo um limite sem que também seja embutida no preço uma perspectiva de recessão econômica.
Além disso, o banco espera que o Fed seja menos agressivo nos cortes do que os mercados passaram a antecipar. Assim, o rendimento real da T-note de 10 anos subiria dos 2% atuais a 2,3% no fim de 2024, o que daria espaço para que o S&P 500 avançasse apenas cerca de 3% em relação aos níveis atuais, terminando o ano que vem com 4,7 mil pontos.
Em seu cenário mais otimista, o time de estrategistas vê o S&P 500 com 5,125 mil pontos no fim de 2024, impulsionado por uma queda do juro real de dez anos a 1,5% por conta de uma inflação mais fraca e um Fed mais dovish (inclinado a cortes de juros).
Por outro lado, o cenário mais pessimista para as ações implica em uma queda do juro real causada por preocupações sobre a economia americana. Neste contexto, o Fed cortaria os juros como forma de evitar um aperto adicional das condições financeiras, mas a perspectiva de lucros das empresas também pioraria. Assim, o S&P 500 terminaria 2024 com 4,45 mil pontos, cerca de 2% abaixo do nível atual.
“A história mostra que os valuations [valores de mercado] e os preços das ações aumentam após o fim dos ciclos de alta de juros do Fed, mas o crescimento econômico continua sendo o principal determinante dos resultados”, avalia o banco. Segundo os analistas, considerando os últimos oito ciclos de cortes de juros nos EUA, o S&P 500 costuma subir 2% nos primeiros 3 meses e 11% nos meses seguintes à primeira redução de juros.
No entanto, a margem de variação das ações é ampla, com avanço de 21% no ciclo de cortes em 1995 a queda de 24% em 2007, no início da chamada Grande Recessão. “Historicamente, as ações enfrentam dificuldades quando ocorre uma recessão logo após o primeiro corte do Fed, o que caracterizou três dos últimos oito ciclos”, completam os analistas do Goldman Sachs.
Fonte: Valor Investe






