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Previsão para o dólar em 2025: Trump e a produção agrícola terão impacto sobre a moeda

Carla Santiago por Carla Santiago
3 de fevereiro de 2025
em Exterior
Previsão para o dólar em 2025: Trump e a produção agrícola terão impacto sobre a moeda

Fonte: Adobe Stock

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O dólar teve forte alta em 2024 e fechou o ano cotado a R$ 6,18, assustando os brasileiros. Não só quem planeja viajar para outro país ou tem compromissos a saldar no exterior está preocupado com os rumos da moeda: muitas matérias-primas de produtos fabricados no Brasil são importadas, como o trigo do pãozinho francês, e, por isso, a elevação das cotações impacta o custo de vida de todos.

Para 2025, as perspectivas para o dólar não são muito animadoras. Embora fazer previsões para o câmbio seja das tarefas mais inglórias para os economistas, é possível listar os fatores que vão afetar a moeda no próximo ano para ter uma ideia do rumo das cotações.

O que esperar do câmbio em 2025

  • Real terá fatores a seu favor no primeiro semestre. O primeiro semestre de 2025 pode ser mais favorável à moeda brasileira, devido principalmente à safra agrícola, diz Alan Martins, analista da Nova Futura Investimentos. “Se tivermos uma boa safra agrícola, com forte exportação de grãos, conseguimos estancar um pouco o dólar e quem sabe até recuar”, diz.
  • Ainda assim, mudança de patamar do dólar é difícil. Ainda que a exportação de grãos ajude, pode ser difícil sair do patamar de R$ 6 atingido pelo dólar. “O dólar tem um problema sério que se chama mudança de patamar. Ele sobe rápido e para baixar é complicado. Talvez R$ 5,80 seja um piso fantástico para o dólar”, diz Martins.
  • Crise de credibilidade do governo permanece. Um dos fatores que levaram à alta do dólar em 2024 foi a questão fiscal. Para Matheus Massote, sócio da One Investimentos, dificilmente o país volta a ter uma taxa de câmbio consistentemente abaixo dos R$ 6 em breve. Segundo ele, a falta de confiança do mercado no governo permanece. “Há uma crise de credibilidade perante ao que o governo pode cumprir”, diz.
  • Atuação de Trump nos Estados Unidos terá impacto na moeda. Se cumpridas, as medidas prometidas pelo republicano devem fortalecer o dólar. Eleito presidente dos Estados Unidos, Donald Trump já disse que preferiria um dólar mais fraco, para favorecer as exportações americanas. Mas ele promete medidas como tarifas sobre importações e corte de impostos, que devem ter como efeito o fortalecimento do dólar.
  • Dólar pode chegar aos R$ 7 mais facilmente do que chegou aos R$ 4. Ainda que os outros dois analistas ouvidos não considerem essa possibilidade, José Cassiolato, sócio da RGW Investimentos, não descarta a chance de o dólar chegar aos R$ 7. Para isso, diz, a moeda americana precisaria de uma valorização de cerca de 15% em relação à cotação atual. “Isso está dentro do comportamento histórico do dólar. Seria algo dentro do normal”, diz.
  • Há preocupação com a reação da sociedade e do governo. Ele ressalta que, quanto mais a moeda se valoriza, mais facilmente são quebradas barreiras psicológicas. “Para ir de R$ 3 para R$ 4, o dólar valorizou 33%. Para chegar aos R$ 5, a valorização foi de 25%. E para os R$ 6 foi uma alta de 20%. A nossa preocupação é em como a sociedade, a opinião pública e o governo podem reagir a esse tipo de patamar”, diz Cassiolato.
  • Dólar está mais caro do que deveria. Para Massote, é cedo para falar em dólar a R$ 7 e um dos motivos é que o real já está mais depreciado do que deveria. “Não tem fundamento para o real estar tão depreciado quanto está”, diz.

Alta em 2024

  • Moeda teve a maior alta nominal em um ano desde 2020. O dólar teve alta de 26% em 2024 e fechou o ano cotado a R$ 6,18. Em 2020, em plena pandemia, subiu 29% e fechou o ano a R$ 5,19. Já em 2015 a alta nominal foi ainda maior, de 44%, quando a moeda americana fechou o ano cotada a R$ 3,90.
  • Moeda ultrapassou a barreira dos R$ 6 pela primeira vez na história. A marca foi atingida no dia 29 de novembro, um dia após o anúncio do pacote de ajuste fiscal pelo governo.

Por que o dólar subiu?

Dólar subiu no mundo todo após eleição de Trump. Não foi só no Brasil que a moeda americana ficou mais cara. O dólar subiu frente a moedas do mundo todo no segundo semestre do ano, devido à eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos.

No cenário doméstico, a questão fiscal acentuou a valorização do dólar frente ao real. O mercado avalia que está mais arriscado investir no país, porque há dúvidas se o governo conseguirá conter a alta da dívida pública. Isso tem elevado a cotação do dólar, assim como as expectativas relacionadas a inflação e juros.

A moeda americana subiu ainda mais após a divulgação do pacote fiscal. Ainda que o dólar tenha subido ao longo de todo o ano, a alta se acentuou ao final do ano, após a divulgação do pacote de ajuste fiscal do governo.

A avaliação foi de que o pacote de cortes demorou a ser divulgado e, quando chegou, houve problemas na comunicação. O governo optou por divulgar o pacote de cortes junto com o anúncio do projeto de isenção de Imposto de Renda para quem tem renda de até R$ 5 mil. No dia seguinte ao anúncio, o dólar chegou à marca dos R$ 6.

Atuação do Banco Central

  • Choque de juros não conteve a moeda. O Banco Central atuou de algumas formas para tentar conter a alta do dólar. Uma delas foi a elevação dos juros. Pouco depois de a moeda chegar ao patamar dos R$ 6, o BC elevou a taxa de juros em 1 ponto percentual, em um choque de juros para conter o dólar e a inflação. A decisão não foi suficiente para fazer a moeda americana ficar abaixo dos R$ 6.
  • BC vendeu bilhões de dólares no mercado em dezembro. Com altas bruscas na cotação da moeda americana, o Banco Central passou a vender dólar. Desde o dia 12 de dezembro, o BC colocou US$ 21,57 bilhões em leilões no mercado à vista. Houve venda da moeda inclusive nesta segunda-feira (30), última sessão do ano, com a venda de US$ 1,8 bilhão.
Tags: dinheiroexterior

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