A mineradora Samarco registrou prejuízo líquido de US$ 4,61 bilhões em 2025, ampliando as perdas em relação ao resultado negativo de US$ 2,57 bilhões em 2024, segundo informações publicadas pela Forbes. O resultado foi impactado principalmente por despesas relacionadas a obrigações socioambientais decorrentes do desastre da barragem de Fundão, em Mariana (MG).
A empresa, controlada pelas mineradoras Vale e BHP, explicou que o desempenho foi fortemente afetado por despesas financeiras e variações cambiais ligadas ao Novo Acordo de Reparação do Rio Doce, firmado em 2024. O acordo estabeleceu novas obrigações financeiras e ambientais para reparar os danos causados pelo rompimento da barragem em 2015, considerado um dos maiores desastres socioambientais da mineração no Brasil.
Apesar do prejuízo, a mineradora registrou avanço operacional ao longo do ano. A receita líquida atingiu US$ 1,9 bilhão, crescimento de cerca de 30% em relação a 2024, impulsionado pela estabilidade das operações e pelo aumento das vendas de minério de ferro. A empresa comercializou 15,9 milhões de toneladas de pelotas e finos, o maior volume desde a retomada das atividades em 2020.
O Ebitda ajustado somou US$ 1,09 bilhão, acima dos US$ 834 milhões registrados no ano anterior, indicando melhora na geração operacional de caixa mesmo diante do peso das obrigações financeiras associadas à reparação ambiental.
Para os próximos anos, a companhia prevê investimentos de cerca de US$ 2,5 bilhões até 2028, com o objetivo de recuperar gradualmente 100% da capacidade produtiva de suas operações. No campo da reparação socioambiental, a empresa estima cerca de US$ 6 bilhões em compromissos em 2025, incluindo obrigações de fazer e pagamentos relacionados aos danos do desastre de Mariana.
O resultado reforça o impacto financeiro de longo prazo de passivos socioambientais na indústria extrativa, especialmente em casos de grandes acidentes ambientais, que podem gerar custos bilionários por décadas.






