A Samsung Electronics registrou um salto de 49 vezes no lucro de sua divisão de chips no último trimestre, impulsionada pela corrida global por inteligência artificial.
A empresa também alertou que a escassez de semicondutores deve se intensificar até 2027, com demanda superando a capacidade de produção.
O avanço reflete o boom de investimentos em data centers e infraestrutura de IA, que já pressiona cadeias globais de tecnologia.
IA acelera receita e margens da divisão de chips
A divisão de semicondutores da Samsung Electronics atingiu lucro operacional de 53,7 trilhões de won entre janeiro e março, ante 1,1 trilhão no mesmo período do ano anterior. O resultado representa cerca de 94% do lucro total trimestral da companhia, que somou 57,2 trilhões de won.
A receita consolidada cresceu 69% na base anual, alcançando 133,9 trilhões de won. O desempenho acompanha a forte demanda por chips avançados usados em sistemas de IA.
Empresas como Nvidia lideram esse movimento, ao utilizar memórias de alta performance em aceleradores voltados para inteligência artificial.
Oferta limitada sustenta preços e gera gargalo
Mesmo com expansão da produção, a indústria enfrenta dificuldades para atender à demanda. Segundo executivos da Samsung Electronics, a capacidade atual segue abaixo das necessidades dos clientes.
A empresa já firmou contratos plurianuais para garantir fornecimento, tentando mitigar riscos de ruptura. Ainda assim, o desequilíbrio entre oferta e demanda deve aumentar nos próximos anos.
A construção de novas fábricas exige tempo e alto investimento, o que limita a resposta rápida da indústria ao crescimento da IA.
Big techs ampliam pressão sobre cadeia global
Gigantes como Alphabet, Amazon e Microsoft já sinalizaram aumento contínuo de investimentos em inteligência artificial.
Esse movimento acelera a demanda por chips de memória avançados e reduz a disponibilidade de semicondutores convencionais, pressionando preços em diversos setores.
O efeito se espalha para segmentos como eletrônicos e automóveis, ampliando o impacto inflacionário global.
Ações recuam após forte alta no ano
Apesar dos resultados recordes, as ações da Samsung Electronics caíram 2,4% após a divulgação. O movimento ocorre após valorização acumulada de 88% no ano, acima dos 57% do mercado.
Analistas apontam realização de lucros como principal fator para a queda no curto prazo.
Ainda assim, o mercado mantém perspectiva positiva para 2026, sustentada pela expansão da inteligência artificial.
Outros negócios sofrem com custos mais altos
Além disso, o aumento nos preços de chips impactou negativamente outras divisões da empresa. A área de smartphones registrou queda de 35% no lucro, totalizando 2,8 trilhões de won no trimestre.
Já a divisão de displays teve recuo de 20%, com lucro de 400 bilhões de won. Ambas enfrentam pressão de custos em componentes e menor margem operacional.
Por fim, a Samsung Electronics também monitora riscos de paralisação na produção diante de uma possível greve de trabalhadores na Coreia do Sul.






