A SpaceX, de Elon Musk, e a AST SpaceMobile estão entre as empresas interessadas na aquisição de uma faixa de espectro de radiofrequência avaliada em aproximadamente US$ 6 bilhões, segundo pessoas familiarizadas com as negociações. Os ativos são considerados estratégicos para ampliar serviços de telefonia móvel diretamente via satélite, uma área que vem atraindo investimentos de grandes empresas de tecnologia e telecomunicações.
O espectro pertence à Grain Management e ganhou disponibilidade depois que a empresa concluiu, neste mês, uma troca de frequências com a T-Mobile US. As licenças estão na faixa de 800 MHz, considerada especialmente valiosa para serviços móveis devido à capacidade de propagação do sinal em longas distâncias e maior penetração em áreas urbanas e rurais.
A disputa pelo ativo acontece em meio à corrida pelo mercado de conectividade direta entre satélites e smartphones, conhecido como direct-to-device (D2D). A tecnologia permite que celulares comuns se conectem a satélites sem depender exclusivamente de torres terrestres, ampliando a cobertura para regiões remotas e áreas onde as redes tradicionais não estão disponíveis.
Para a SpaceX, a aquisição poderia complementar os investimentos já realizados para transformar a Starlink em uma operação de telefonia móvel mais ampla. A empresa já adquiriu licenças de espectro da EchoStar por cerca de US$ 19,6 bilhões em duas operações anunciadas anteriormente, dando à Starlink acesso a frequências que podem ser utilizadas tanto em serviços via satélite quanto em infraestrutura terrestre.
A AST SpaceMobile, por sua vez, tem como principal estratégia construir uma rede de banda larga celular no espaço capaz de conectar smartphones convencionais diretamente aos satélites. A companhia afirma estar desenvolvendo sua arquitetura em parceria com operadoras móveis e pretende utilizar diferentes faixas de espectro para oferecer conectividade de banda larga e serviços celulares diretamente aos aparelhos.
A eventual aquisição colocaria SpaceX e AST SpaceMobile em uma disputa por um recurso considerado cada vez mais estratégico no setor de telecomunicações. Além das duas empresas, outras companhias vêm buscando garantir acesso a espectro para acompanhar o crescimento dos serviços móveis via satélite e reduzir as limitações de cobertura das redes terrestres.
O interesse pelo ativo também evidencia como o espectro de radiofrequência se tornou um dos principais pontos de competição na expansão da conectividade espacial. Com bilhões de smartphones em uso no mundo e uma parcela significativa da população ainda enfrentando áreas sem cobertura celular, empresas do setor enxergam no modelo D2D uma oportunidade para combinar infraestrutura espacial e redes móveis tradicionais.
Se a negociação avançar, a compra poderá representar um movimento estratégico importante para quem ficar com as licenças, ampliando a capacidade de oferecer serviços móveis e fortalecendo a posição da empresa vencedora na corrida pela próxima geração de conectividade via satélite.






