Em um movimento estratégico que promete redefinir o cenário nacional de tecnologia, a Totvs anunciou a aquisição da Linx por R$ 3,05 bilhões. A Linx, até então controlada pela Stone, é uma das principais fornecedoras de software de gestão para o varejo brasileiro. A operação posiciona a Totvs como líder absoluta no fornecimento de soluções tecnológicas para o comércio, fortalecendo sua presença em setores como farmácias, postos de combustíveis e concessionárias automotivas.
A transação será paga em dinheiro e representa a maior aquisição já realizada pela Totvs. A companhia utilizará parte do caixa disponível e deverá recorrer a novas captações de recursos para concluir o pagamento. A concretização do negócio ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do cumprimento de condições precedentes usuais nesse tipo de operação.
O movimento tem relevância estratégica por diversos motivos. A Totvs já atuava no varejo, mas não possuía a mesma penetração que a Linx em segmentos altamente especializados. Com a compra, passa a contar com mais de 180 soluções voltadas exclusivamente para o comércio, além de uma carteira robusta de clientes com receita recorrente. O objetivo é acelerar investimentos em inovação e ampliar o uso de inteligência artificial nas plataformas já existentes, reforçando sua proposta de valor.
Apesar da magnitude do negócio, a Totvs conseguiu negociar a aquisição com um significativo deságio. Em 2020, a Stone havia adquirido a Linx por cerca de R$ 6,7 bilhões. Agora, quatro anos depois, vende por menos da metade do valor originalmente pago. A decisão da Stone reflete uma mudança de estratégia: a fintech optou por retomar o foco em seu core business — soluções financeiras e pagamentos — após dificuldades para integrar verticalmente software e serviços bancários.
A venda da Linx não inclui outros ativos de tecnologia da Stone, como o Reclame Aqui, Questor e a plataforma Linx Pay, que permanecem sob controle da empresa. Parte desses ativos, no entanto, já vem sendo desinvestida, como no caso da SimplesVet, vendida recentemente para a PetLove. Com os recursos obtidos na venda da Linx, a Stone deve reforçar seu caixa, realizar programas de recompra de ações e, eventualmente, distribuir dividendos aos acionistas.
Do ponto de vista financeiro, a Totvs passa a operar com um portfólio ainda mais diversificado e robusto, mantendo a lógica de crescimento com rentabilidade. A operação é considerada positiva para os acionistas da companhia, uma vez que a aquisição foi feita por múltiplos menores do que os praticados atualmente pelo mercado, o que pode gerar impacto positivo nas margens e nos resultados futuros.
Já a Linx, que em 2024 registrou uma receita líquida superior a R$ 1 bilhão e apresentou forte geração de caixa, agora será incorporada a uma estrutura maior, com possibilidade de acelerar sua transformação digital e expansão de mercado.
A integração entre as duas empresas também deve gerar sinergias operacionais e oportunidades de cross-sell, com ampliação das ofertas aos clientes atuais de ambas as companhias. A Totvs deverá explorar complementariedades técnicas e comerciais, além de reduzir sobreposições e otimizar equipes.
Caso seja aprovada sem restrições pelo Cade, a operação representará uma consolidação histórica do setor de tecnologia brasileiro. Ao absorver a Linx, a Totvs se consolida como a principal fornecedora de software de gestão empresarial do país, especialmente no segmento de varejo, com potencial para ditar o ritmo de inovação e digitalização do comércio nos próximos anos.






