A Volkswagen discute uma reestruturação que pode custar até 100 mil postos de trabalho e resultar no fechamento de quatro fábricas na Alemanha.
O comando de Oliver Blume estuda encerrar as unidades de Hanover, Emden, Zwickau e Neckarsulm, esta última pertencente à Audi. As medidas estão em análise no conselho fiscal, que se reúne nesta tarde, no horário local, na sede da companhia em Wolfsburg.
Enquanto o encontro acontece, trabalhadores foram às ruas. Cerca de 400 pessoas se concentraram em Wolfsburg com apitos, bandeiras vermelhas e faixas.
Além disso, uma delas trazia a expressão em alemão ‘Gemeinsam stark’, que significa ‘fortes juntos’.
Por e-mail, um porta-voz da Volkswagen confirmou a revisão de estruturas. ‘Estamos ajustando nosso portfólio de investimentos e simplificando nossas estruturas corporativas’, afirmou. E completou: ‘E sim, também teremos que reduzir o excesso de capacidade.’
O que prevê o plano de fechamento
Segundo a revista Spiegel, o desenho em estudo prevê etapas distintas para cada unidade. Em Zwickau e Emden, a produção seria encerrada de forma gradual ao longo dos próximos cinco anos.
A fábrica de veículos comerciais de Hanover teria as atividades interrompidas em 2032, enquanto a unidade da Audi em Neckarsulm encerraria as operações em 2034.
Os planos batem de frente com um compromisso firmado no fim de 2024. Naquele acordo de reestruturação, os sindicatos haviam obtido a garantia de que fábricas na Alemanha não seriam fechadas.
Uma fonte do governo estadual da Baixa Saxônia classificou como ‘um completo absurdo’ uma reportagem da WirtschaftsWoche que apontava aceitação do fechamento de fábricas.
Capacidade em queda e outras frentes em estudo
As fábricas do grupo na Alemanha devem operar a 81% da capacidade padrão em 2026. Caso a unidade de Osnabrück seja retirada da rede produtiva, a projeção é de que a capacidade caia para 73% até o fim da década.
Contudo, a montadora avalia buscar um parceiro da indústria de defesa para Osnabrück, além de estudar a possibilidade de produzir na Alemanha modelos desenvolvidos para o mercado chinês.
Por fim, o caso de Zwickau ilustra o cenário: a previsão é de 88% de capacidade ocupada em 2026, com recuo para 42% até 2030.
Além disso, a companhia, fundada há 89 anos, tem entre seus investidores as famílias Porsche e Piëch, que nos últimos anos viram dezenas de bilhões de euros em valor de mercado se dissiparem.






