A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) decidiu os nomes das novas certificações para os profissionais que atuam com a distribuição de investimentos. A entidade informou em março que a CPA-10, a CPA-20 e a CEA deixarão de existir. Novas certificações serão lançadas no lugar e as provas passarão a ser aplicadas em janeiro de 2026.
Serão três novas certificações: a CPA (Certificado Profissional Anbima), a C-Pro R (Certificado Profissional Anbima de Relacionamento) e a C-Pro I (Certificado Profissional Anbima de Investimento).
A CPA será o ponto de partida para iniciar a carreira na área de distribuição de produtos de investimento. É para aqueles que buscam uma compreensão básica sobre os tipos de investimentos disponíveis e outros produtos do mercado financeiro e desejam atuar no comercial, atendendo clientes, dando suporte e prospectando novos investidores.
Já a C-Pro R será voltada para profissionais com perfil comercial e com conhecimento aprofundado sobre o quão adequados são os diferentes produtos de investimento disponíveis ao perfil e às necessidades dos investidores. Com essa certificação, a pessoa poderá analisar o perfil do investidor, compreender com mais profundidade as necessidades do cliente e indicar produtos, apresentando inclusive os riscos. Para obter essa certificação, é obrigatório ter a CPA.
Por último, a C-Pro I será destinada a profissionais mais técnicos, que necessitam de um entendimento aprofundado sobre as estruturas dos produtos de investimento, para elaborarem carteiras recomendadas. As pessoas com essa certificação devem ter uma visão técnica detalhada para assessorar em investimentos os profissionais CPA e C-Pro R. Para obter essa certificação, é obrigatório ter a CPA.
E para quem já é certificado?
Conforme a entidade, nenhum dos quase 500 mil profissionais perderá a sua certificação CPA-10, a CPA-20 e a CEA ou terá que realizar um novo exame. Para migrar de uma certificação antiga para uma certificação nova, os profissionais farão cursos de atualização sem custos extras. Já os profissionais que não tiverem uma certificação da Anbima ainda deverão fazer o exame para a CPA antes de se inscreverem para as novas certificações.
“Aconselhamos não esperar para tirar as novas certificações. Mantenha os planos e tire as certificações antigas agora para conseguir posições profissionais. No ano que vem, informaremos como será para as pessoas que fizeram exames recentemente”, afirma Marcelo Billi, superintendente de sustentabilidade, inovação e educação da Anbima. “Não se preocupe, ninguém deverá fazer provas extras nem terá custos adicionais para fazer a transição. A atualização será gratuita nas plataformas da Anbima”, diz.
O passo a passo da transição entre o modelo atual e o novo processo será divulgado pela Associação no segundo semestre, nos canais da Anbima e na página sobre as novas certificações. Em dezembro, será divulgado o plano de transição e os critérios para obter a CPA, C-Pro I ou C-Pro R. Em janeiro de 2026, a CPA-10, a CPA-20 e a CEA deixarão de existir e as novas certificações começarão a valer.
Entenda as mudanças
As certificações CPA-10, a CPA-20 e a CEA foram criadas há mais de 20 anos e foram pensadas para as estruturas dos bancos. A busca por essas certificações está crescendo, mas a acelerada evolução do mercado passou a exigir competências e funções novas das pessoas. As plataformas de investimentos democratizaram as aplicações financeiras, as instituições financeiras passaram a vender produtos de outras empresas e as cooperativas de crédito e os bancos digitais entraram nesse mercado.
Agora, as certificações serão concedidas conforme as atividades de cada profissional, como acontece nos Estados Unidos e na Europa, e não com base em cargos, instituições ou segmentos de mercado atendidos, como acontece atualmente no Brasil. “Antes existia uma hierarquia entre as certificações, mas essa hierarquia agora acabou”, afirma Billi. “Serão certificações para atividades diferentes e uma não substituirá a outra”, diz.
A base das mudanças foi uma pesquisa realizada com o mercado sobre a atuação e o perfil dos profissionais de distribuição e as competências comportamentais e técnicas que eles precisam para exercer suas atividades. O estudo mostrou que os profissionais com cargos distintos na distribuição de investimentos estão exercendo funções parecidas, na prática. Ainda, o levantamento mostrou que o mercado financeiro exige um conhecimento alto dos profissionais e que é preciso ampliar o conteúdo dos exames.
A Anbima está conversando com os profissionais, o mercado e as escolas preparatórias para coletar sugestões e tirar dúvidas sobre as alterações. Além disso, o aplicativo Anbima Edu deve disponibilizar microcertificações para contribuir com a especialização dos profissionais sobre determinados assuntos, incluindo os conteúdos cobrados nas certificações e simulados das provas.
Fonte: Valor Investe






