O dólar emplacou nesta última segunda-feira, 24, a terceira sessão consecutiva de alta no Brasil, impulsionado por ruídos no mercado após fala do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre o arcabouço fiscal e pelo avanço da moeda norte-americana no exterior, em meio a dúvidas em torno da aplicação de novas tarifas comerciais pelos EUA.
O dólar à vista fechou em alta de 0,65%, aos R$ 5,7528. Em três dias úteis, a divisa acumulou ganhos de 1,84%, mas, no ano, tem recuo de 6,90%.
O dólar no dia
A divisa dos EUA chegou a oscilar em baixa ante o real no início da sessão, mas rapidamente saltou para o território positivo na esteira de ruídos gerados por comentários de Haddad em evento organizado pelo Valor Econômico.
“Depois, quando você estiver numa situação de estabilidade da dívida (em relação ao) PIB, você tiver uma Selic mais comportada e uma inflação mais comportada, você vai poder mudar os parâmetros do arcabouço. Mas, na minha opinião, não deveríamos mudar a arquitetura”, disse.
“Tivemos logo de manhã um pouco de fala do Haddad que acabou trazendo ruídos para o mercado, dado que ele falou bastante sobre a questão do arcabouço, que vai perseguir, que não se muda a arquitetura, mas que talvez possa mudar ou ajustar alguma coisa”, afirmou Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos. “Então o mercado ficou um pouco nervoso nesta abertura.”
Após o evento, Haddad afirmou em uma rede social que houve uma tentativa de distorção de sua fala e reiterou o apoio à arquitetura do arcabouço fiscal.
“Para o futuro, disse que os parâmetros podem até mudar, se as circunstâncias mudarem, mas defendo o cumprimento das metas que foram estabelecidas pelo atual governo”, afirmou Haddad em publicação no X.
Passada a pressão trazida por Haddad, o dólar perdeu força, mas ainda assim se manteve no território positivo, em sintonia com o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior.
Por trás do movimento estavam os receios em torno das tarifas comerciais dos EUA. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou nesta última segunda-feira que em um futuro muito próximo anunciará tarifas sobre automóveis, alumínio e produtos farmacêuticos.
Ao mesmo tempo, a Bloomberg News e o The Wall Street Journal informaram que o governo Trump provavelmente adiará um conjunto de tarifas específicas para setores ao aplicar taxas recíprocas em 2 de abril.
Neste cenário, no fim da tarde o dólar se mantinha em alta ante uma cesta de divisas fortes. Às 17h10, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,24%, a 104,280.
Pela manhã, o boletim Focus do Banco Central mostrou que a projeção mediana do mercado para o dólar no fim de 2025 passou de R$5,98 para R$5,95, na segunda queda semanal consecutiva.






