Em resposta a um questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre reportagem publicada pelo Valor Econômico, que citava uma possível negociação de financiamento de US$ 600 milhões com credores, a companhia aérea Azul (AZUL4) afirmou que, até o momento, não houve formalização de qualquer instrumento vinculante, tampouco deliberação por parte dos órgãos de administração que configure fato relevante.
A companhia ainda reiterou que está comprometida com o fortalecimento de sua estrutura de capital e que avalia constantemente alternativas estratégicas para preservar liquidez e otimizar a alocação de recursos, em linha com sua agenda de longo prazo.
Os resultados do primeiro trimestre de 2025 vieram abaixo do esperado, com o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) 2% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O desempenho foi impactado principalmente pela desvalorização de 18% do real em relação ao dólar e por desafios operacionais, resultando em uma queima de caixa de R$ 313 milhões nas operações e encerrando o trimestre com uma posição de caixa de R$ 655 milhões — uma queda de 49% em relação ao trimestre anterior.
Na visão do Bradesco BBI, o fluxo de caixa da Azul seguirá pressionado no restante do ano. A liquidez da empresa depende, em grande parte, da liberação de até R$ 2 bilhões por parte do governo para servirem como garantia de novas dívidas — uma iniciativa que poderia ocorrer ainda no primeiro semestre, mas que tem sido sucessivamente adiada.
O banco também revisou suas projeções para 2025, estimando um Ebitda de R$ 7,1 bilhões, em linha com o consenso de mercado. A nova meta de preço para as ações da Azul foi reduzida para R$ 1,30, com base na premissa de conversão de aproximadamente R$ 3 bilhões em dívidas a preços de mercado atuais, o que implicaria significativa diluição para os acionistas.






