A Anthropic e a OpenEvidence anunciaram nesta terça-feira (22) uma colaboração para ampliar o acesso a ferramentas de inteligência artificial voltadas ao suporte à decisão clínica em países com menor disponibilidade de recursos médicos. A iniciativa pretende disponibilizar gratuitamente uma versão especializada da plataforma para profissionais de saúde em dezenas de países de baixa e média renda.
A OpenEvidence é uma plataforma de conhecimento médico que permite aos profissionais fazer perguntas clínicas e receber respostas baseadas em pesquisas médicas revisadas por pares e diretrizes de tratamento. Atualmente, o serviço é oferecido gratuitamente a médicos nos Estados Unidos e na Europa.
A nova iniciativa deverá chegar a cerca de 100 países, incluindo Uganda, Angola, Sudão, Haiti e Mongólia. O objetivo é atender regiões onde o acesso limitado à literatura científica, a especialistas e à educação médica continuada pode dificultar o atendimento e a tomada de decisões clínicas.
Pelo acordo, a tecnologia da Anthropic ficará responsável pelo suporte de infraestrutura e processamento de inteligência artificial, enquanto a OpenEvidence fará a adaptação do sistema às condições de cada região. Segundo as empresas, isso inclui considerar diferenças na infraestrutura de saúde, nos padrões de doenças, nos recursos disponíveis para diagnóstico e nos tratamentos acessíveis localmente.
A preocupação com a adaptação regional é relevante porque modelos de inteligência artificial desenvolvidos principalmente a partir de dados de países ricos podem não refletir adequadamente as condições encontradas em sistemas de saúde de outras partes do mundo. A OpenEvidence afirma que pretende tornar a ferramenta adaptável ao contexto de cada localidade.
Antes da expansão global, a empresa já vinha trabalhando com organizações de saúde em países como Ruanda e Botsuana para adaptar suas ferramentas às necessidades locais. A parceria anunciada agora amplia esse esforço para um número maior de mercados.
A demanda pelo serviço também mostra o avanço da inteligência artificial no cotidiano médico. Segundo o fundador da OpenEvidence, Daniel Nadler, médicos dos Estados Unidos fizeram 42 milhões de consultas à plataforma somente em agosto. Ele afirmou ainda que, ao longo de 2026, centenas de milhões de americanos deverão ter sido atendidos por médicos que utilizaram a ferramenta para auxiliar suas decisões.
A expansão ocorre em meio ao aumento do uso de inteligência artificial na área da saúde, mas também diante de questionamentos sobre segurança e desempenho desses sistemas. Um estudo publicado na Nature Medicine em junho comparou ferramentas clínicas especializadas, incluindo a OpenEvidence, com modelos de uso geral e destacou a necessidade de avaliações independentes antes da adoção de IA em ambientes clínicos.
A própria Anthropic vem ampliando sua atuação no setor de saúde. A empresa lançou ferramentas voltadas a profissionais e organizações de saúde e também vem desenvolvendo aplicações para pesquisa científica e ciências da vida, incluindo suporte a processos de pesquisa clínica e operações regulatórias.
A companhia também passou recentemente a investir em pesquisas biológicas e no desenvolvimento de ferramentas de IA para ciência e descoberta de medicamentos. A estratégia faz parte de uma expansão da Anthropic para além dos usos tradicionais de seus modelos de linguagem.
Os termos financeiros da colaboração entre Anthropic e OpenEvidence não foram divulgados. Com a iniciativa, as empresas buscam ampliar o acesso a conhecimento médico baseado em evidências em regiões onde a falta de especialistas e de recursos educacionais continua sendo um obstáculo para os sistemas de saúde.






