A chinesa ChangXin Memory Technologies (CXMT), principal fabricante de chips de memória DRAM da China, anunciou no último domingo (20) que sua quinta geração de tecnologia entrou em produção em larga escala. A empresa afirmou que a nova plataforma representa um avanço na capacidade chinesa de fabricar memórias mais densas e eficientes e amplia a competição com gigantes como Samsung Electronics, SK Hynix e Micron.
Batizada de G5, a nova plataforma reduz para 11,95 nanômetros o espaçamento de estruturas na área de memória dos chips. Segundo a CXMT, a tecnologia permite colocar mais células de memória em uma mesma área e aumentar a quantidade de chips produzidos a partir de cada wafer de silício.
Para alcançar esse nível de miniaturização, a companhia utiliza uma técnica conhecida como quadruple patterning, que repete etapas de fabricação para criar padrões mais finos nos circuitos. A estratégia é particularmente relevante diante das restrições dos Estados Unidos à exportação de equipamentos e tecnologias avançadas de fabricação de semicondutores para empresas chinesas.
A CXMT também apresentou dois novos produtos LPDDR5X de 24 gigabits desenvolvidos a partir da plataforma G5. De acordo com a empresa, os chips oferecem 50% mais capacidade de armazenamento em comparação com produtos equivalentes da geração anterior e já estão em produção em larga escala. Eles são voltados principalmente para smartphones e outros dispositivos portáteis.
Outro dado divulgado pela companhia é o aumento de mais de 50% na quantidade bruta de chips que pode ser obtida por wafer em relação à quarta geração. A métrica, no entanto, representa o número potencial de unidades antes da exclusão de componentes que não passam pelos testes finais de qualidade, portanto não equivale diretamente ao rendimento efetivo da fabricação.
O anúncio reforça a estratégia de Pequim de reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros em setores considerados estratégicos. Desde 2022, controles de exportação dos Estados Unidos vêm restringindo o acesso de empresas chinesas a determinados equipamentos e softwares utilizados na fabricação de semicondutores avançados, aumentando a pressão para o desenvolvimento de tecnologias domésticas.
A expansão da CXMT ocorre em um momento de forte demanda mundial por memória, impulsionada especialmente pela inteligência artificial e pela necessidade crescente de chips para smartphones, servidores e outros equipamentos eletrônicos. A empresa já avançou também no desenvolvimento de memórias de maior desempenho. Em setembro, a CXMT anunciou a produção em massa de LPDDR6 e afirmou que o componente passou a equipar o smartphone dobrável Xiaomi 18 Fold.
Apesar dos avanços, a distância tecnológica em alguns segmentos permanece relevante. A disputa mais estratégica atualmente está no mercado de memória de alta largura de banda, ou HBM, utilizada em aceleradores de inteligência artificial. Samsung, SK Hynix e Micron continuam entre os principais fornecedores globais desse tipo de memória, enquanto a CXMT ainda busca ampliar sua presença em segmentos mais avançados.
Com a entrada da G5 em produção, a fabricante chinesa passa a ter uma nova plataforma para ampliar sua capacidade e atender principalmente o mercado doméstico. O avanço também aumenta a pressão competitiva sobre os grandes fabricantes internacionais de DRAM, ao mesmo tempo em que evidencia o esforço da indústria chinesa para avançar mesmo sob as restrições comerciais e tecnológicas impostas pelos Estados Unidos.






