O dólar tem volatilidade na sessão desta última quinta-feira (7), oscilando entre altas e baixas. A moeda caía 0,03% perto das 15h, cotada a R$ 5,4610. Investidores ficam atentos à possibilidade de o governo anunciar um plano de contingência diante da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que já está em vigor.
Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subia 0,06% no mesmo horário, aos 136.529 pontos. Além do impacto do tarifaço, o mercado também monitora a divulgação dos balanços corporativos do segundo trimestre no Brasil e no exterior.
Logo após a meia-noite (horário da costa leste) entraram em vigor as novas tarifas comerciais da Casa Branca sobre produtos de mais de 90 países. A sobretaxa sobre os produtos brasileiros começou a valer anteontem (6), mesmo dia em que o governo do presidente Lula acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o tarifaço do presidente Trump.
Nos mercados globais, as bolsas europeias registraram sua maior alta diária em mais de duas semanas. Investidores repercutiram os balanços financeiros mistos, tarifas dos Estados Unidos e um possível avanço para acabar com o conflito entre a Rússia e a Ucrânia. Além disso, foi destaque a decisão do Banco da Inglaterra (BoE) de cortar os juros para 4%, por 5 a 4. Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta. Investidores avaliam a promessa do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor uma tarifa de 100% sobre as importações de semicondutores e chips.
No cenário econômico, o destaque do dia é a divulgação do IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna), da Fundação Getulio Vargas, que recuou 0,07% em julho, após deflação de 1,80% em junho. O índice acumula queda de 1,82% no ano e avanço de 2,91% nos últimos 12 meses.
Tarifaço avança no mundo
O tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre importações de dezenas de países entrou em vigor nesta última quinta-feira (7). Segundo a agência de notícias Reuters, as taxas mais altas elevaram o imposto médio de importação dos EUA para o nível mais alto em um século.
Assim como o Brasil, outros parceiros comerciais dos EUA — como Suíça e Índia, por exemplo — ainda tentam negociar acordos melhores com o governo norte-americano.
Segundo o secretário de comércio dos EUA, Howard Lutnick, a expectativa é que o país arrecade US$ 50 bilhões por mês em receitas tarifárias ou mais — acima dos US$ 30 bilhões vistos em julho.
“E então você terá os semicondutores, você terá os produtos farmacêuticos, você terá todo tipo de dinheiro adicional de tarifas entrando”, afirmou o secretário em entrevista à Fox Business Network nesta quinta-feira.
Na véspera, Trump já havia anunciado planos para cobrar uma tarifa de cerca de 100% sobre chips semicondutores importados, bem como uma taxa sobre importações farmacêuticas, que aumentaria para 250% ao longo do tempo.
As tarifas só deixarão de ser cobradas caso os fabricantes se comprometam a produzir nos EUA.
Mercados globais
As ações europeias fecharam em alta nesta última quinta-feira. O índice STOXX 600 subiu 0,92%, a 546,05 pontos, atingindo o maior nível em uma semana. O setor de bancos europeus subiu 2% — maior nível desde 2010. Já o setor de seguros avançou 1,6% e alcançou um pico recorde.
Foram destaque nos mercaos europeus o bom desempenho de ações do setor financeiro, balanços corporativos mistos e a expectativa de um possível cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia.
Nesta quinta-feira, o Banco da Inglaterra (BoE) reduziu a taxa de juros de 4,25% para 4%. No entanto, quatro dos nove membros do comitê preferiam manter os juros por causa da inflação ainda alta.
Em votação apertada, o banco manteve o discurso de seguir com cortes de forma lenta e cautelosa. Mas incluiu um novo sinal de que essa sequência de cortes pode estar perto do fim.
“A restritividade da política monetária diminuiu com a redução da taxa básica de juros”, afirmou o BoE, não mais dizendo diretamente que a política ainda é restritiva. Repetiu que não há uma trajetória determinada previamente para os custos dos empréstimos.
Na Ásia, as ações da China subiram pelo quarto dia seguido e fecharam nesta última quinta-feira no maior nível em três anos e meio. Por lá, os investidores reagiram aos dados positivos de exportação que impulsionaram a recuperação do mercado, mesmo com novas ameaças de tarifas dos EUA.
Enquanto isso, a expectativa dos investidores é de que China e Estados Unidos cheguem a um acordo até o prazo de 12 de agosto, dia em que se encerra a trégua tarifária entre os dois países.
Agenda econômica
O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu 0,07% em julho, ante queda de 1,80% no mês anterior, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta última quinta-feira (7). Em 12 meses, o índice registra avanço de 2,91%.
“Os preços ao produtor registraram queda menos intensa em julho, com destaque para matérias-primas brutas como minério de ferro e soja. Os preços ao consumidor foram impactados principalmente pelos reajustes nos jogos lotéricos e pelas tarifas de energia elétrica”, disse Matheus Dias, economista do FGV IBRE, em comunicado.
Compõem também o IGP-DI o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), que teve queda de 0,34% em julho, além do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI), com alta de 0,37%. Por fim, o Índice Nacional de Construção Civil (INCC-DI) subiu 0,91% em julho, contra 0,69% em junho.
No exterior, o número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de seguro-desemprego atingiu o nível mais alto em um mês na semana passada. O número sugere que o mercado de trabalho ficou, em grande parte, estável, embora a criação de empregos esteja enfraquecendo e os trabalhadores demitidos estejam demorando mais para encontrar um novo emprego.
Segundo dados divulgados pelo Departamento do Trabalho, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego aumentaram em 7 mil solicitações, no maior nível desde 5 de julho.
Os dados também voltam as atenções dos mercados para o quadro de juros nos EUA. Nesta quinta-feira, o presidente da distrital do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americnao) de Atlanta, Raphael Bostic, afirmou que apesar de os riscos para o mercado de trabalho terem aumentado, ainda é cedo para se comprometer com novos cortes de juros.
Ainda segundo Bostic, um corte de 0,25 ponto percentual na taxa é provavelmente tudo o que será apropriado neste ano.






