O Banco do Brasil (BB) atualizou sua estimativa de lucro líquido para 2025, prevendo um recuo que pode chegar a 45% em relação ao ano anterior. A nova faixa de guidance indica lucros entre R$ 21 bilhões e R$ 25 bilhões, frente aos aproximadamente R$ 37,9 bilhões alcançados em 2024.
Resultados trimestrais frustrantes
No relatório do segundo trimestre, o banco registrou um lucro líquido de R$ 3,8 bilhões, uma queda de 50% em comparação ao primeiro trimestre de 2025 e de 65% sobre o mesmo período do ano anterior. O resultado ficou 30% abaixo do consenso de mercado, que já havia sido revisado para baixo após dados divulgados ao Banco Central.
Outro ponto negativo foi o retorno sobre o patrimônio (ROE), que caiu para 8,4%, atingindo o pior patamar desde 2016. Esse indicador reforça a fragilidade da rentabilidade do banco em meio ao cenário desafiador que se apresenta.
Pressão das provisões exorbitantes
Um dos fatores que mais impactou o desempenho do BB foi o aumento expressivo das provisões para perdas com crédito. No segmento corporativo, as provisões subiram duas vezes e meia em relação ao primeiro trimestre, atingindo R$ 4,3 bilhões. No agronegócio, houve aumento de 51%, para R$ 7,9 bilhões; e na carteira de pessoas físicas, as provisões cresceram 18%, totalizando R$ 4,8 bilhões. Esses números explicam em parte a necessidade do banco revisar cifras e ampliar reservas.
Projeções e reações do mercado
O guidance revisado – entre R$ 21 bilhões e R$ 25 bilhões – representa uma queda de 34% a 45% em relação ao lucro de 2024. O ponto médio de R$ 23 bilhões, considerando os R$ 11,2 bilhões já apurados no primeiro semestre, sugere um desempenho modesto nos trimestres seguintes, com expectativa de R$ 5 a R$ 6 bilhões por trimestre.
Para alguns analistas, esse cenário pode ter vindo como “menos ruim” do que o mercado esperava, oferecendo algum alívio ao contexto. No entanto, outros especialistas adotam uma postura mais cautelosa, considerando o guidance “muito otimista”. A avaliação é que a deterioração foi rápida e a recuperação deverá ser gradual — “como uma escada”.
Histórico recente e cenário macro
Vale lembrar que, no final de 2024, o Banco do Brasil projetava um lucro entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões para 2025, com crescimento esperado de até 8% em relação ao ano anterior. A reorientação das expectativas mostra o quão abruptas foram as revisões diante do desempenho real.
Além desse contexto, os resultados do segundo trimestre apontam um quadro de 70–75% de retração acumulada no lucro desde os primeiros trilhos traçados no início do ano, associada à deterioração da carteira de crédito, especialmente no agronegócio, e maiores exigências de provisão contábil.
Consequências para acionistas e mercado
A retração nos lucros naturalmente impacta diretamente o nível de dividendos. Até então, a expectativa alinhava-se com um payout entre 40% e 45%, mas diante do novo panorama, o banco já sinaliza prudência com a política de distribuição. Essa preocupação ganha ainda mais força considerando que a visibilidade sobre inadimplência no agro continua limitada e a carteira enfrenta vencimentos expressivos nos próximos meses.
A revisão para baixo nas expectativas de lucro do Banco do Brasil expõe um cenário desafiador, marcado por deterioração operacional, perdas em provisões e fragilidade na rentabilidade. Enquanto parte do mercado encara essa atualização como um “mal menor”, o pessimismo persiste, principalmente entre especialistas que veem a projeção como otimista demais para um contexto com baixa visibilidade.
Restam no ar diversas incertezas: como evoluirão as provisões? Qual será o impacto nas futuras políticas de dividendos? E, sobretudo, quando – e se – o banco conseguirá retomar uma trajetória mais robusta de lucros e rentabilidade? O que se desenha, pelo menos por ora, são meses de cautela e atenção redobrada por parte dos investidores.






