A varejista de luxo Saks Global Enterprises, controladora de marcas icônicas como Saks Fifth Avenue, Neiman Marcus e Bergdorf Goodman, está em negociações para obter um empréstimo de até US$ 1 bilhão como parte de um plano para manter suas operações abertas enquanto se prepara para uma possível reorganização sob o Capítulo 11 da lei de falências dos Estados Unidos. A movimentação ocorre após a empresa deixar de pagar mais de US$ 100 milhões em juros de dívida em dezembro do ano passado, segundo pessoas familiarizadas com as discussões, citadas pelo Bloomberg e pela Reuters.
Fontes indicam que parte desse financiamento pode envolver uma estrutura conhecida como debtor-in-possession (DIP), em que cerca de US$ 750 milhões de novos recursos seriam injetados e a dívida existente poderia ser reorganizada, permitindo que a Saks continue operando durante o processo de falência. As negociações com credores também incluem pedidos de tolerância em relação a pagamentos de dívida para ganhar tempo enquanto o plano financeiro é finalizado.
A tentativa de captação acontece em meio a um momento financeiro delicado para a companhia. A empresa tem sofrido com a desaceleração do consumo de luxo nos Estados Unidos, inflação e custos elevados desde a aquisição da Neiman Marcus em 2024 por US$ 2,65 bilhões. Apesar de uma reestruturação de dívida anterior que garantiu US$ 600 milhões em financiamento, a liquidez permanece pressionada, levando à venda de ativos imobiliários e exploração de opções estratégicas, como a venda de participação em marcas ou imóveis.
Em meio a essa crise, o então CEO Marc Metrick renunciou ao cargo no início de janeiro de 2026, com Richard Baker, presidente executivo, assumindo a liderança da empresa. A mudança na alta direção ocorre em um contexto de intensa reavaliação das operações e esforços para restaurar a confiança dos investidores, fornecedores e consumidores no mercado de luxo.
Fontes relatam que a busca pelo financiamento e possíveis passos de reorganização judicial refletem não apenas desafios de curto prazo, mas também a necessidade de ajustar a estrutura de negócios diante de um ambiente competitivo e de menor demanda por bens de alto valor agregado.
Até o momento, a Saks Global não se pronunciou oficialmente sobre os termos das negociações de empréstimo ou sobre um possível pedido formal de falência.






