As tarifas do transporte marítimo de contêineres podem alcançar níveis próximos dos recordes históricos diante do aumento dos custos dos combustíveis provocado pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. A elevação do preço do bunker, utilizado pelas embarcações, aumenta a pressão sobre as cadeias globais de abastecimento e pode encarecer ainda mais o comércio internacional.
Segundo dados da plataforma de preços de frete Xeneta, a tarifa no mercado à vista para o transporte de um contêiner de 40 pés da China até a costa leste dos Estados Unidos chegou a US$ 10.948. O valor representa mais de quatro vezes o nível registrado desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, e se aproxima do recorde de US$ 11.900 alcançado em janeiro de 2022, durante a crise logística provocada pela pandemia de Covid-19.
Para Peter Sand, analista-chefe da Xeneta, o mercado voltou a apresentar condições semelhantes às observadas no período de maior desorganização do comércio global. A combinação entre combustíveis mais caros, riscos geopolíticos, desvios de rotas e restrições de capacidade pode levar algumas das principais rotas comerciais a testar novas máximas.
O aumento dos custos ocorre em meio às ameaças à navegação no Estreito de Ormuz, importante corredor para o transporte internacional de petróleo e derivados. A redução do tráfego na região tem provocado escassez de navios, necessidade de trajetos mais longos e maior consumo de combustível, elevando o custo operacional das companhias marítimas.
Embora a alta do bunker estabeleça um novo piso para os preços dos fretes, analistas destacam que a evolução das tarifas também dependerá da demanda global, da disponibilidade de embarcações e dos congestionamentos nos portos. No corredor transpacífico, por exemplo, os preços continuam influenciados pelo período de maior movimentação de cargas antes das festas de fim de ano e pelas incertezas sobre a capacidade disponível.
O encarecimento do transporte marítimo pode atingir importadores, exportadores e consumidores, especialmente em setores que dependem de componentes e mercadorias vindos da Ásia. Produtos eletrônicos, máquinas, bens de consumo e insumos industriais podem sofrer pressão adicional de custos caso as empresas repassem o aumento dos fretes aos preços finais.
Além disso, a crise energética amplia os riscos de inflação em diversas economias. O petróleo Brent permanece acima de US$ 100 por barril, enquanto os mercados acompanham possíveis interrupções prolongadas no fornecimento e na circulação de navios no Oriente Médio. Mesmo com eventuais quedas pontuais nas cotações, a manutenção dos riscos sobre as rotas marítimas mantém elevada a volatilidade do setor.
A avaliação dos analistas é que, caso o conflito se prolongue e os custos de combustível continuem subindo, o transporte de contêineres poderá voltar a enfrentar um cenário comparável ao dos períodos mais críticos da pandemia, quando a combinação de demanda elevada, falta de navios e gargalos portuários levou os fretes a níveis recordes.






