Há um mês e meio, a SpaceX (SPCX34) estreou na bolsa como a maior oferta pública inicial da história. As ações brilharam os olhos dos investidores e Elon Musk se tornou o primeiro trilionário do mundo.
De lá para cá, o mercado passou por oscilações. E o papel não só devolveu a valorização inicial, como recuou 30% em relação ao preço do IPO.
Assim, uma coisa é certa: entender os números por trás da empresa importa mais do que seguir a euforia do momento.
E para entender o que está em jogo, vale a pena voltar ao começo dessa história.
De aposta arriscada a gigante da indústria espacial
A SpaceX nasceu de um incômodo pessoal de Elon Musk. O empresário considerava um desperdício o fato de um foguete ser usado uma única vez e depois se descartado.
Essa irritação virou projeto, que se tornou uma empresa que depois veio a ser uma das companhias mais valiosas do mundo antes mesmo de abrir seu capital.
Em junho, a SpaceX estreou na Nasdaq com uma oferta pública que já entrou para a história. A companhia captou aproximadamente US$ 85,7 bilhões no maior IPO de todos os tempos, superando a Saudi Aramco que levantou US$ 29 bilhões.
As ações foram precificadas em US$ 135 durante o roadshow e estrearam a US$ 150, fechando o primeiro pregão cotadas a US$ 160,95.
Com isso, o valor de mercado da companhia ultrapassou os US$ 2 trilhões logo no primeiro dia de negociação. E o patrimônio de Musk acompanhou o movimento, chegando a mais de US$ 1 trilhão e coroando o empresário como o primeiro trilionário do mundo.
O trilhão de Musk pode durar para sempre?
Entre a volatidade do setor espacial, uma tentativa frustrada de lançamento da Starship em julho e dúvidas sobre o tamanho da aposta em inteligência artificial, os papéis da companhia enfrentaram alguns percalços.
Na última terça-feira, 29 de julho, as ações da SpaceX fecharam o pregãoem US$ 112,55. Portanto, desde o IPO, os papéis da companhia caíram cerca de 30%.
Bom, se o filho sofre, o “pai” também não escapa. O patrimônio de Musk também sofreu um recuo durante esse período, caindo para US$ 700 bilhões , segundo dados da Bloomberg.
No entanto, isso não fez o empresário perder o posto de homem mais rico do mundo.E, na prática, a liderança da SpaceX no setor continua intacta.
A vantagem da SpaceX na disputa pelo espaço
Enquanto o mercado financeiro discute a ação, a SpaceX segue líder na corrida espacial. A empresa mantém o ritmo mais intenso de lançamentos do setor privado.
A Starlink, sua rede de internet via satélite, se consolidou como uma peça central desse ecossistema. Ela leva conectividade a regiões remotas e já é usada por governos e empresas ao redor do mundo.
Em relatório recente, disponível na Empiricus+, Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, avalia que “a SpaceX não é apenas uma fabricante de foguetes: seu sistema de lançamentos funciona como base de uma plataforma de telecomunicações que se beneficia diretamente da redução do custo de acesso ao espaço”.
Além disso, Spiess aponta que a companhia está próxima de quebrar mais uma fronteira e, com a incorporação da xAI, o investimento em inteligência artificial continuará sendo mais pesado. E os números ajudam a explicar por quê.
Valorização fora de órbita
Os números por trás de tudo isso não negam o crescimento acelerado. A receita da SpaceX saltou de US$ 10,4 bilhões em 2023 para US$ 18,6 bilhões em 2025.
Agora, o mercado projeta uma receita de US$ 38,6 bilhões em 2026 . Segundo Spiess, isso significa que os investidores estão precificando uma execução operacional “próxima da excelência”.
Agora, se você ainda tem dúvidas sobre o que considerar antes de decidir se vale a pena investir na SpaceX (SPCX), saiba que é justamente uma análise aprofundada, feita por quem acompanha o mercado de perto, que ajuda a separar a euforia dos fundamentos.
Em momentos de grande expectativa, olhar além das manchetes pode fazer toda a diferença para enxergar os riscos e as oportunidades com mais clareza.






