Mesmo diante do cenário de juros elevados no Brasil, o Itaú Unibanco avança na execução de projetos financiados pelo Eco Invest Brasil, programa criado pelo governo federal para mobilizar capital privado para iniciativas sustentáveis de longo prazo. A instituição concluiu a alocação dos R$ 8,4 bilhões aprovados no primeiro leilão do programa e agora trabalha na destinação de mais de R$ 33,1 bilhões contemplados em rodadas posteriores.
O Eco Invest Brasil foi lançado em 2024 com o objetivo de reduzir riscos e estimular investimentos privados em áreas ligadas à transformação ecológica. Entre os setores contemplados estão transição energética, bioeconomia, economia circular e infraestrutura verde. O programa utiliza instrumentos financeiros para diminuir riscos, inclusive relacionados à volatilidade cambial, e tornar projetos de longo prazo mais atrativos aos investidores.
Segundo o Itaú, os recursos do primeiro leilão já foram direcionados para projetos de saneamento, transição energética, bioeconomia, economia circular e infraestrutura sustentável. A instituição também segue avançando na estruturação de operações referentes aos leilões seguintes, ampliando o alcance dos investimentos.
O cenário de juros, entretanto, continua sendo um desafio. A Selic está em 14% ao ano, segundo as informações mais recentes do mercado, e o ambiente de crédito caro tende a dificultar investimentos de longo prazo. A expectativa do mercado é de uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa ainda em 2026, para 13,75% ao ano.
É justamente nesse contexto que mecanismos como o Eco Invest ganham relevância. Ao utilizar instrumentos de redução de risco e combinar recursos públicos e privados, o programa busca viabilizar projetos que poderiam enfrentar dificuldades para obter financiamento em condições tradicionais, especialmente em períodos de custo elevado do dinheiro.
Um exemplo da atuação do Itaú no programa ocorreu ainda no início do ano, quando o banco realizou a primeira liberação de recursos do segundo leilão do Eco Invest. A operação, em parceria com a Adecoagro, destinou financiamento à recuperação de aproximadamente 4 mil hectares de pastagens degradadas no bioma Mata Atlântica, com conversão das áreas para produção agrícola sob práticas sustentáveis.
Até agora, o Eco Invest já realizou quatro leilões, que mobilizaram aproximadamente R$ 140 bilhões, enquanto um quinto leilão foi criado para apoiar inovação tecnológica e o desenvolvimento de cadeias consideradas estratégicas para a competitividade brasileira.
Para o Itaú, a conclusão da primeira rodada representa um avanço na transformação dos recursos mobilizados em investimentos efetivos. A instituição afirma que a experiência acumulada nas primeiras operações permite acelerar a estruturação de novos projetos, mesmo diante de um ambiente financeiro ainda restritivo.
Na avaliação do mercado, a continuidade desses investimentos dependerá da evolução dos juros, das condições de crédito e da capacidade de estruturar projetos sustentáveis com retorno financeiro adequado. Com a Selic ainda elevada, programas de mitigação de riscos como o Eco Invest podem desempenhar um papel importante para manter o fluxo de recursos para a economia verde brasileira.






