O Ibovespa encerrou o pregão desta quinta-feira (17) em alta, recuperando-se da pressão registrada mais cedo após o anúncio do reajuste do Bolsa Família. O dólar, por sua vez, terminou o dia praticamente estável, em um mercado marcado pela repercussão das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos e pelas preocupações com o impacto fiscal da ampliação do programa social.
O principal índice da Bolsa brasileira avançou 0,23%, aos 185.992 pontos, segundo dados divulgados no fechamento. Durante a manhã, o Ibovespa chegou a recuar cerca de 0,45%, mas mudou de direção ao longo do pregão, apoiado principalmente pela valorização das ações da Vale e pelo ambiente mais favorável nas bolsas internacionais.
A Vale subiu 2,06%, para R$ 74,51, contribuindo para a recuperação do índice. O desempenho dos papéis ocorreu em meio à melhora recente das cotações do minério de ferro, depois de preocupações anteriores sobre uma possível desaceleração da demanda pela commodity.
No câmbio, o dólar comercial fechou cotado a R$ 5,139, com queda de aproximadamente 0,24%. A moeda começou o dia em baixa, passou a subir após o anúncio do reajuste do Bolsa Família e voltou a recuar durante a tarde, refletindo a redução da pressão inicial sobre os ativos brasileiros.
O governo anunciou aumento de cerca de 15% no benefício, elevando o valor mínimo do programa de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio deve passar de R$ 675 para R$ 777. Segundo o Ministério do Planejamento, a medida terá impacto estimado de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027.
A reação inicial do mercado foi negativa devido às dúvidas sobre a sustentabilidade das contas públicas. Embora o governo tenha afirmado que o aumento será absorvido dentro das dotações orçamentárias existentes e não comprometerá as metas fiscais, investidores avaliaram os possíveis efeitos da medida sobre o gasto público, a dívida e as expectativas de inflação.
O cenário externo também ajudou a limitar a volatilidade. Após a alta dos juros promovida pelo Federal Reserve, os rendimentos dos Treasuries e o dólar perderam parte da força observada no pregão anterior. A melhora do ambiente internacional favoreceu ativos de risco em diversos mercados emergentes, incluindo ações e moedas da América Latina.
No Brasil, os agentes financeiros ainda repercutiram a decisão do Copom de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. A redução ocorreu no mesmo ciclo de decisões que levou o Fed a elevar os juros norte-americanos para a faixa entre 3,75% e 4%, diminuindo parcialmente o diferencial de remuneração entre os dois países.
Com isso, o mercado brasileiro encerrou o dia equilibrando fatores positivos, como a recuperação das ações de empresas ligadas às commodities e a melhora do cenário externo, com riscos relacionados ao quadro fiscal e ao ambiente eleitoral. A trajetória do Ibovespa e do dólar deverá continuar sensível às novas medidas econômicas do governo, às expectativas para os juros e à percepção dos investidores sobre a condução das contas públicas.






