As ações da Gemini Space Station, plataforma de criptomoedas fundada pelos irmãos Cameron e Tyler Winklevoss, acumulam uma queda de aproximadamente 80% desde a abertura de capital na Nasdaq, em setembro de 2025. A forte desvalorização reduziu o valor de mercado da empresa para cerca de US$ 753 milhões e voltou a alimentar especulações sobre um possível movimento de aquisição.
A Gemini realizou sua oferta pública inicial (IPO) a US$ 28 por ação e chegou a registrar forte valorização nos primeiros momentos de negociação. Desde então, porém, os papéis perderam grande parte do valor, em meio à redução da atividade de negociação, queda das receitas e dificuldades enfrentadas pela companhia no mercado de criptomoedas.
Segundo a CoinDesk, a receita de exchange da Gemini caiu 38% no segundo trimestre de 2026, para US$ 12,5 milhões. O volume de negociação à vista recuou 66%, para US$ 3,8 bilhões, enquanto os ativos mantidos na plataforma diminuíram de US$ 18,2 bilhões para US$ 8,4 bilhões.
A deterioração do desempenho abriu espaço para discussões sobre o valor que a companhia ainda representa para potenciais compradores. Nesse cenário, o interesse não estaria necessariamente concentrado no negócio de negociação de criptomoedas, mas também na infraestrutura regulatória, na base de clientes e na estrutura de custódia construída pela Gemini nos Estados Unidos.
Uma possibilidade mencionada pelo diretor de pesquisa de ativos digitais da ARK Invest, Lorenzo Valente, é que a Hyperliquid poderia adquirir a Gemini e utilizar sua estrutura regulada nos Estados Unidos como porta de entrada para produtos como contratos perpétuos e mercados de previsão. Até o momento, no entanto, não há indicação de que a Hyperliquid esteja efetivamente negociando uma aquisição da companhia.
O interesse por ativos regulatórios da Gemini não é uma hipótese completamente nova. Em abril, a CoinDesk informou que potenciais compradores avaliavam a aquisição de partes das operações europeias e britânicas encerradas pela empresa, principalmente para obter acesso a licenças e estruturas regulatórias. Na ocasião, os interessados não demonstravam interesse necessariamente em comprar toda a companhia.
A Gemini também passou por uma reestruturação internacional em 2026. A empresa anunciou o encerramento de suas operações no Reino Unido, União Europeia e Austrália e manteve suas atividades nos Estados Unidos e em Singapura. A companhia também reduziu sua força de trabalho global em 25% e teve mudanças em sua equipe executiva.
Apesar da retração do negócio de exchange, a Gemini ainda possui ativos que podem ser considerados estratégicos em um eventual processo de consolidação do setor. A companhia mantém operações de custódia institucional, staking, produtos de rendimento, pagamentos e infraestrutura de negociação. Em abril, a subsidiária Gemini Olympus recebeu uma licença de organização de compensação de derivativos da CFTC, ampliando a estrutura regulatória da empresa para operar mercados de futuros e outros produtos.
Outro fator relevante está na estrutura acionária. Os irmãos Winklevoss concentram aproximadamente 94,5% do poder de voto da Gemini. Isso significa que uma eventual operação de venda da empresa dependeria, na prática, da aprovação dos dois fundadores, tornando pouco provável uma aquisição hostil ou uma transação conduzida exclusivamente por outros acionistas.
Assim, a queda das ações não representa, por si só, uma confirmação de que a Gemini esteja à venda. O movimento, porém, alterou significativamente sua avaliação de mercado e pode tornar a companhia mais acessível para empresas interessadas em ampliar sua presença regulada no mercado de ativos digitais. Até o momento, não há anúncio de uma oferta formal pela Gemini.






