Os contratos futuros do Nasdaq recuavam mais de 1% nesta quinta-feira (15), em meio ao aumento das preocupações dos investidores com o endividamento de empresas ligadas à inteligência artificial (IA) e os custos para financiar a expansão do setor. A pressão sobre as ações de tecnologia ocorre após uma forte queda em Wall Street na sessão anterior, diante de sinais de inflação persistente nos Estados Unidos e da possibilidade de novos aumentos nas taxas de juros.
Na quarta-feira (14), os índices Nasdaq Composite e S&P 500 registraram suas maiores perdas diárias desde julho. O movimento foi impulsionado pela divulgação de dados de inflação acima das expectativas, que reforçaram as apostas de que o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, poderá manter uma política monetária mais restritiva ou voltar a elevar os juros para conter a alta dos preços.
O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos subiu 3,7% em 12 meses até setembro, acima dos 3,4% registrados em agosto. O resultado aumentou a cautela nos mercados, já que juros elevados encarecem o crédito e podem reduzir a disposição das empresas para realizar investimentos de grande porte.
As preocupações são particularmente relevantes para o setor de inteligência artificial, que exige investimentos bilionários em centros de processamento de dados, servidores, chips e infraestrutura de computação em nuvem. Embora a demanda por essas tecnologias continue sustentando os planos de expansão das empresas, investidores passaram a questionar se o retorno financeiro será suficiente para justificar o volume de recursos comprometidos.
Um dos principais focos de preocupação é a CoreWeave, empresa especializada em infraestrutura de computação em nuvem para inteligência artificial. Com elevado nível de endividamento, a companhia enfrenta pressão do mercado em meio às dúvidas sobre os custos de financiamento e a sustentabilidade dos investimentos em infraestrutura. Na quinta-feira, as ações da empresa caíam 4,5% nas negociações anteriores à abertura do mercado norte-americano, após recuarem cerca de 15% na sessão anterior.
A Oracle, gigante de tecnologia que também ampliou sua atuação em infraestrutura para inteligência artificial, registrava queda de aproximadamente 2% no pré-mercado, depois de perder quase 9% na quarta-feira. O desempenho das duas companhias evidencia a preocupação dos investidores com empresas que precisam captar grandes volumes de recursos para acompanhar a expansão da demanda por capacidade computacional.
O movimento negativo também atingiu fabricantes de semicondutores e outras companhias associadas ao desenvolvimento da IA. Nvidia, Micron Technology e Advanced Micro Devices (AMD) estiveram entre as empresas pressionadas pela onda de vendas no setor de tecnologia, refletindo a cautela dos investidores em relação às avaliações elevadas e às perspectivas de crescimento.
Outro fator que contribuiu para a aversão ao risco foi a sinalização da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), maior fabricante de chips avançados do mundo. Apesar de registrar seu sexto trimestre consecutivo de lucro recorde, a companhia adotou uma perspectiva cautelosa para 2027 diante das incertezas macroeconômicas. A avaliação reforçou as dúvidas sobre o ritmo futuro de expansão dos investimentos em tecnologia.
O cenário indica uma mudança na percepção do mercado em relação ao crescimento da inteligência artificial. Em vez de questionar apenas a existência de demanda pelos produtos e serviços do setor, investidores estão cada vez mais atentos à capacidade das empresas de financiar projetos, administrar dívidas e transformar os investimentos em receitas e lucros consistentes.
A expectativa de juros mais altos também afeta a avaliação das companhias de tecnologia, cujos preços de ações frequentemente dependem da projeção de resultados futuros. Quando o custo do dinheiro aumenta, esses ganhos esperados perdem parte de seu valor presente, o que pode pressionar os preços dos papéis, sobretudo os de empresas negociadas a múltiplos elevados.
Ao longo da quinta-feira, investidores também aguardavam novos indicadores econômicos dos Estados Unidos, incluindo dados sobre preços ao produtor e vendas no varejo. Os números poderão ajudar a avaliar a intensidade das pressões inflacionárias e as próximas decisões do Federal Reserve.
Nesse contexto, o desempenho dos futuros do Nasdaq reflete uma combinação de preocupações com inflação, juros e financiamento da infraestrutura de inteligência artificial. A continuidade das quedas dependerá, entre outros fatores, dos próximos dados econômicos, dos resultados corporativos e da capacidade das empresas do setor de demonstrar que os investimentos realizados podem gerar retornos compatíveis com os custos assumidos.






