O iFood anunciou, na última terça-feira (20), a aquisição da Caju, empresa de tecnologia especializada em benefícios corporativos, gestão de despesas e soluções para recursos humanos. O negócio amplia a atuação da companhia para além do delivery de refeições e fortalece sua presença no mercado brasileiro de vales-refeição e vales-alimentação, que movimenta aproximadamente R$ 150 bilhões por ano.
A transação será realizada por meio do iFood Benefícios, divisão da empresa voltada aos benefícios corporativos. O valor da aquisição não foi divulgado oficialmente. A operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central, com expectativa de conclusão em 2027.
Segundo as empresas, a união poderá dobrar a presença do iFood no segmento de benefícios corporativos. Juntas, as operações somam cerca de 135 mil clientes empresariais e aproximadamente 3 milhões de usuários ativos, considerando os números informados pelas companhias e sem descontar possíveis sobreposições entre as bases.
Aquisição amplia estratégia para além do delivery
A compra faz parte da estratégia do iFood de diversificar suas fontes de receita e ampliar seu ecossistema de serviços. Embora seja conhecido principalmente pela plataforma de entrega de comida, o grupo vem investindo em áreas como serviços financeiros, supermercados, farmácias e soluções tecnológicas para empresas.
No ano fiscal encerrado em março de 2026, o iFood registrou receita líquida de R$ 10,1 bilhões, crescimento de 29% em relação ao período anterior. De acordo com informações divulgadas sobre a companhia, cerca de um terço da receita já vinha de atividades fora do delivery.
A expansão também ocorre em um momento de aumento da concorrência no setor de entregas no Brasil, com a chegada de novos participantes, como a Keeta, plataforma controlada pelo grupo chinês Meituan. A ampliação dos negócios em benefícios corporativos oferece ao iFood uma nova frente de crescimento e reduz sua dependência de uma única atividade.
A aquisição integra o plano de investimentos de R$ 24 bilhões anunciado pelo grupo até março de 2027. A estratégia busca ampliar a atuação da companhia em diferentes segmentos da economia digital brasileira.
Caju amplia o portfólio de benefícios corporativos
Fundada em 2019, a Caju oferece soluções que reúnem benefícios como alimentação, refeição, cultura, mobilidade e saúde em uma plataforma digital. A empresa também atua com gestão de despesas corporativas e ferramentas voltadas à administração de pessoas.
A companhia atende mais de 70 mil empresas e possui cerca de 1,3 milhão de usuários ativos. Seu modelo de negócios combina cartões de benefícios com ferramentas para facilitar a gestão dos recursos oferecidos pelas empresas aos funcionários.
Já o iFood Benefícios atende aproximadamente 65 mil empresas e possui uma base de usuários que, somada à da Caju, deverá alcançar cerca de 3 milhões de pessoas, segundo os números divulgados no anúncio.
A expectativa é combinar a escala e a rede de estabelecimentos do iFood com as soluções de gestão da Caju. A integração poderá ampliar as opções disponíveis para departamentos de recursos humanos e trabalhadores, embora os detalhes sobre eventuais produtos conjuntos ainda dependam das próximas etapas do negócio.
Mercado movimenta R$ 150 bilhões por ano
O setor brasileiro de vales-refeição e vales-alimentação movimenta aproximadamente R$ 150 bilhões anuais e atende mais de 20 milhões de consumidores. O tamanho do mercado tem atraído empresas de tecnologia e companhias tradicionais de benefícios, em meio à busca por soluções digitais, maior flexibilidade e redução de custos.
A aquisição ocorre também durante mudanças regulatórias no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), que estabelece regras para a concessão de benefícios alimentares. As alterações previstas para o setor buscam ampliar a interoperabilidade dos cartões e aumentar a concorrência entre as operadoras.
Nesse ambiente, a escala e a tecnologia podem se tornar diferenciais competitivos. Para o iFood, a aquisição representa uma oportunidade de ampliar sua participação em um mercado consolidado, mas que passa por mudanças no funcionamento e na oferta de serviços.
Integração depende de aprovação regulatória
Apesar do anúncio, a aquisição ainda não foi concluída. A operação precisa ser analisada pelo Cade, responsável por avaliar possíveis impactos sobre a concorrência, e pelo Banco Central, considerando os aspectos regulatórios aplicáveis ao negócio.
Até a obtenção das aprovações necessárias, iFood Benefícios e Caju continuarão operando de forma independente. Não há migração imediata de clientes, nem mudanças anunciadas para cartões, saldos, contratos ou canais de atendimento.
A conclusão da transação permitirá que as empresas avancem na avaliação de possíveis sinergias, na integração de serviços e no desenvolvimento de novas soluções para empresas e trabalhadores.
Com a compra, o iFood reforça sua estratégia de diversificação e amplia sua exposição ao mercado de benefícios corporativos. O potencial da operação dependerá da aprovação dos órgãos reguladores e da capacidade de combinar as plataformas sem comprometer a experiência dos usuários e a competitividade do setor.






