O mercado financeiro brasileiro encerrou a terça-feira, 20 de outubro de 2026, em alta, com o Ibovespa avançando 1,57%, aos 208.295,98 pontos, enquanto o dólar comercial caiu 0,58%, cotado a R$ 5,019. O desempenho foi impulsionado pela entrada de capital estrangeiro, pela desvalorização da moeda norte-americana no exterior e pelas expectativas em torno do segundo turno das eleições presidenciais.
Durante o pregão, o principal índice da Bolsa brasileira chegou a subir 1,88%, alcançando 208.941,57 pontos. Com o resultado, o Ibovespa recuperou parte das perdas da sessão anterior e atingiu seu maior nível desde 9 de outubro. Já o dólar se aproximou da marca de R$ 5, acompanhando o movimento internacional de enfraquecimento da moeda.
Eleições influenciam os investimentos
A disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) permaneceu entre os principais fatores observados pelos investidores. A proximidade do segundo turno, marcado para 25 de outubro, aumenta a atenção do mercado às pesquisas eleitorais e às perspectivas para a política econômica do próximo governo.
Parte dos investidores tem reagido às expectativas de mudanças na condução das contas públicas e de maior controle dos gastos governamentais. A possibilidade de um ajuste fiscal mais rigoroso pode reduzir a percepção de risco dos ativos brasileiros e favorecer a Bolsa, o real e os contratos de juros futuros.
Apesar disso, a disputa segue incerta e as propostas econômicas dos candidatos continuam no centro das preocupações. O resultado das eleições, por si só, não determina o comportamento dos mercados: a execução das medidas anunciadas e a evolução das contas públicas também serão importantes para a avaliação dos investidores.
Varejo e empresas ligadas ao consumo avançam
As ações de empresas ligadas ao consumo, ao crédito e ao varejo contribuíram para a valorização do Ibovespa. Esses segmentos tendem a reagir às expectativas de queda dos juros, uma vez que custos de financiamento menores podem estimular o consumo das famílias e reduzir as despesas financeiras das companhias.
A Magazine Luiza esteve entre os destaques positivos do pregão, com alta de 14,79%. A Vamos também registrou valorização expressiva, de 8,32%. O movimento refletiu tanto as expectativas relacionadas ao cenário eleitoral quanto as perspectivas para as empresas em um ambiente de condições financeiras potencialmente mais favoráveis.
Entre as companhias de maior peso no índice, Petrobras encerrou em alta, mesmo com a queda do petróleo no mercado internacional. Já a Vale recuou, pressionada também pelo enfraquecimento do dólar e pela desvalorização do minério de ferro.
Dólar perde força no exterior
A queda do dólar frente ao real também acompanhou o enfraquecimento da moeda norte-americana no mercado internacional. Dados mais fracos do setor imobiliário dos Estados Unidos contribuíram para reduzir os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, conhecidos como Treasuries, favorecendo moedas de países emergentes.
Quando os rendimentos dos títulos dos Estados Unidos recuam, investimentos em outros mercados podem se tornar relativamente mais atraentes. Esse movimento, combinado à entrada de recursos estrangeiros na Bolsa brasileira, ajudou a sustentar a moeda nacional.
O dólar acumulou sua terceira sessão consecutiva de queda e terminou o dia a R$ 5,019. Em outubro, a moeda registrava desvalorização de 3,02%; no acumulado de 2026, a queda chegava a 8,56%.
Petróleo e cenário internacional seguem no radar
No exterior, os investidores também acompanharam a oscilação dos preços do petróleo em meio às notícias sobre possíveis avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã. O barril do Brent, referência internacional, fechou em queda de 0,69%, a US$ 108,79.
A redução das tensões geopolíticas pode aliviar parte da pressão sobre os preços da commodity e sobre as expectativas de inflação global. Ainda assim, a trajetória do petróleo continua sujeita às incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio.
Nos próximos dias, a tendência dos ativos brasileiros deverá continuar condicionada às pesquisas eleitorais, às expectativas sobre a política fiscal e aos movimentos dos mercados internacionais. Com a proximidade da votação, mudanças na percepção dos investidores podem provocar oscilações tanto no Ibovespa quanto no câmbio.






