Elon Musk afirmou que a Terafab, empreendimento de fabricação de semicondutores ligado à SpaceX e à Tesla, tem como meta iniciar a produção em larga escala de chips no terceiro trimestre de 2028. O cronograma foi apresentado durante uma teleconferência da SpaceX realizada na terça-feira, 20 de outubro de 2026.
O empresário ressaltou, porém, que o calendário é ambicioso e está sujeito a incertezas. Segundo Musk, a expectativa interna é que o projeto produza seu primeiro chip de teste funcional em maio ou junho de 2027, em uma unidade de pesquisa em Austin, no Texas. A fabricação em volume seria transferida para a instalação principal da Terafab.
A iniciativa pretende atender à demanda crescente por processadores destinados à inteligência artificial (IA), à robótica e aos sistemas computacionais das empresas controladas por Musk. O objetivo é ampliar o controle sobre o desenvolvimento e a fabricação de chips, reduzindo a dependência dos fornecedores externos.
Projeto prevê capacidade computacional de grande escala
A Terafab foi concebida para reunir diferentes etapas da produção de semicondutores, incluindo projeto, fabricação, encapsulamento avançado e testes. O plano prevê instalações voltadas a diferentes necessidades: chips para veículos elétricos e robôs humanoides Optimus, da Tesla, e processadores para sistemas de inteligência artificial, incluindo centros de processamento de dados planejados para operar no espaço.
Musk afirmou que a iniciativa pretende alcançar capacidade equivalente a um terawatt de computação por ano. A meta representa uma escala expressiva e exigirá investimentos elevados, infraestrutura especializada e acesso a equipamentos avançados de fabricação.
A empresa não apresentou garantias de que conseguirá atingir essa capacidade ou cumprir o cronograma anunciado. O próprio Musk reconheceu que os prazos são agressivos e que o resultado dependerá da execução do projeto e da colaboração com fornecedores de tecnologia.
Produção própria busca reduzir dependência de fornecedores
A fabricação de chips é estratégica para os negócios de Musk porque a expansão da inteligência artificial exige volumes crescentes de capacidade computacional. Na Tesla, os semicondutores são utilizados em sistemas de assistência à direção, condução autônoma, veículos elétricos e robôs humanoides.
A SpaceX, por sua vez, amplia sua atuação em inteligência artificial e infraestrutura de processamento. A disponibilidade de chips especializados pode ser importante para sustentar essas operações, especialmente se a demanda futura superar a capacidade de fornecimento contratada com fabricantes externos.
Musk já argumentou que a produção global de semicondutores poderá não ser suficiente para atender às necessidades futuras de suas empresas. A Terafab surge, assim, como uma tentativa de integrar mais etapas da cadeia tecnológica e garantir maior previsibilidade no acesso aos componentes.
O projeto também envolve a Intel, que anunciou sua participação em abril de 2026. A parceria é relevante para o desenvolvimento industrial da iniciativa, embora a divisão exata de responsabilidades e a estrutura final de fabricação ainda dependam da evolução do empreendimento.
Desafio envolve custos, tecnologia e cronograma
Construir uma fábrica de semicondutores avançados exige investimentos de grande porte, equipamentos altamente especializados e conhecimento técnico para manter elevados níveis de precisão e rendimento na produção. Instalações desse tipo podem levar anos para entrar em operação, especialmente quando envolvem processos de fabricação de última geração.
Além da construção física, a Terafab precisará validar seus processos, testar os primeiros chips e ampliar gradualmente a produção até alcançar o volume planejado. Atrasos na entrega de equipamentos, dificuldades técnicas ou mudanças na estratégia dos parceiros podem afetar o calendário.
O projeto também terá de competir em um setor dominado por fabricantes com experiência consolidada, como TSMC, Samsung e Intel. Essas empresas operam fábricas complexas e atendem clientes de diferentes segmentos, enquanto a Terafab deverá desenvolver sua própria capacidade industrial em uma escala inédita para as empresas de Musk.
Apesar dos obstáculos, o empreendimento reflete a crescente importância dos semicondutores para a corrida global pela inteligência artificial. Caso consiga cumprir seus objetivos, a Terafab poderá ampliar a integração entre hardware, software, robótica e infraestrutura computacional dentro do ecossistema de Musk. Por enquanto, a produção em larga escala em 2028 permanece como uma meta, e não como uma data garantida.






