A oferta pública inicial de ações (IPO) da Jio Platforms, empresa de telecomunicações e serviços digitais controlada pelo bilionário indiano Mukesh Ambani, continuou atraindo forte demanda nesta quinta-feira, 22 de outubro de 2026. No segundo dia de reservas, a parcela destinada aos investidores de varejo foi totalmente subscrita em cerca de duas horas, enquanto a procura geral superou três vezes o volume de ações oferecido.
A operação pretende captar aproximadamente US$ 3,2 bilhões, o equivalente a cerca de 30.213 crore de rúpias indianas. A oferta poderá se tornar a maior abertura de capital da história da Índia e marca o primeiro IPO da Reliance Industries, conglomerado de Ambani, em 20 anos.
Dados das bolsas indianas indicaram que a demanda total alcançou 3,47 vezes o volume disponível por volta das 11h, no horário local. Os investidores institucionais qualificados lideraram a procura, com pedidos equivalentes a 9,42 vezes a parcela reservada para esse grupo. Já a categoria de investidores não institucionais registrou demanda de 2,34 vezes sua cota.
A participação dos investidores individuais é um dos destaques da operação. Cerca de um terço da oferta foi reservado ao varejo, que completou sua parcela ainda nas primeiras horas do segundo dia de reservas.
IPO pode avaliar a Jio em mais de US$ 108 bilhões
A faixa de preço das ações foi estabelecida entre 1.065 e 1.119 rúpias por papel. Considerando o limite superior, a oferta avalia a Jio Platforms em até US$ 108,3 bilhões, colocando a companhia entre as maiores empresas listadas do país em valor de mercado.
O processo de subscrição começou na quarta-feira, 21 de outubro, e termina na sexta-feira, 23 de outubro. As ações têm previsão de estreia na bolsa em 28 de outubro.
A procura elevada ocorre em um momento em que investidores internacionais avaliam com maior rigor as ofertas públicas de empresas de tecnologia, especialmente aquelas que apresentam planos ambiciosos de expansão em inteligência artificial. No caso da Jio, a maior parte da receita ainda vem das telecomunicações, o que oferece uma base de negócios já estabelecida, embora também evidencie a concentração da operação nesse segmento.
Estratégia de Ambani vai além das telecomunicações
A abertura de capital é uma peça importante do plano de Mukesh Ambani para transformar a Reliance Industries, historicamente ligada ao petróleo e aos produtos químicos, em um conglomerado com atuação ampliada em tecnologia, varejo e serviços ao consumidor.
A Jio iniciou suas operações de telecomunicações em 2016, apostando em preços baixos para dados móveis e chamadas de voz gratuitas. A estratégia acelerou a adoção da internet móvel na Índia e ajudou a companhia a conquistar participação de mercado de concorrentes como Bharti Airtel e Vodafone Idea.
Atualmente, a operação de telecomunicações da Jio atende mais de 500 milhões de assinantes, tornando-se uma das maiores do mundo em número de usuários dentro de um único país. Além dos serviços móveis, a empresa vem expandindo sua atuação em redes 5G, banda larga residencial, computação em nuvem e soluções de inteligência artificial.
A companhia também reúne serviços digitais utilizados por consumidores e empresas, incluindo pagamentos, streaming e outras plataformas conectadas. Essa estrutura é parte central da tese de crescimento apresentada aos investidores.
Marca Reliance ajuda a atrair investidores individuais
A forte demanda no varejo também reflete a presença histórica da marca Reliance no mercado financeiro indiano. As ações do conglomerado são acompanhadas por investidores individuais há décadas e, segundo analistas citados pela imprensa, tornaram-se um investimento tradicional para muitas famílias do país.
O histórico da empresa contribui para ampliar o interesse pela oferta da Jio, embora as duas companhias não devam ser tratadas como investimentos idênticos. A Jio tem foco em telecomunicações e serviços digitais, enquanto a Reliance possui negócios em diferentes setores da economia.
A operação também recebeu interesse de investidores institucionais internacionais. Antes do início da negociação pública, a Jio havia destinado cerca de US$ 853 milhões em ações a investidores globais e domésticos, entre eles a Autoridade de Investimentos de Abu Dhabi e a BlackRock.
A participação desses investidores ajudou a reforçar a visibilidade internacional da oferta e a consolidar a expectativa de forte demanda durante o período de reservas.
Recursos serão usados para fortalecer a operação
De acordo com o prospecto da oferta, parte dos recursos captados poderá ser utilizada para pagar ou antecipar dívidas da unidade de telecomunicações, enquanto o restante será destinado a despesas corporativas gerais, incluindo investimentos de capital.
A redução do endividamento pode ampliar a flexibilidade financeira da empresa para financiar a expansão de redes e serviços. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento de infraestrutura 5G, banda larga e computação em nuvem exige investimentos contínuos, o que torna importante acompanhar como os recursos serão alocados após a abertura de capital.
A avaliação de até US$ 108,3 bilhões também coloca a Jio sob maior escrutínio. Os investidores precisarão observar a capacidade da companhia de aumentar a receita por usuário, preservar margens, enfrentar a concorrência e transformar a expansão tecnológica em resultados financeiros.
Com a procura elevada no segundo dia, o IPO da Jio se consolida como um dos principais eventos do mercado de capitais indiano em 2026. A subscrição integral da parcela destinada ao varejo demonstra o interesse dos investidores individuais, mas o desempenho das ações após a estreia dependerá dos fundamentos da empresa, das condições de mercado e das expectativas de crescimento no longo prazo.






