O Ibovespa encerrou a quarta-feira, 21 de outubro de 2026, em queda de 0,86%, aos 206.495,23 pontos, pressionado pela repercussão de uma nova pesquisa eleitoral e pela forte desvalorização das ações da WEG após a divulgação do balanço do terceiro trimestre. No mercado de câmbio, o dólar comercial avançou 0,17%, cotado a R$ 5,027, interrompendo uma sequência de quedas.
Durante a manhã, o principal índice da Bolsa brasileira chegou a ultrapassar os 209 mil pontos, atingindo a máxima de 209.244,71 pontos. Ao longo do pregão, porém, perdeu força e passou a operar no campo negativo, em um movimento de ajuste após as altas recentes e de maior cautela diante da proximidade do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, 25 de outubro.
A sessão também foi marcada pela diferença entre o desempenho do mercado brasileiro e o de Wall Street. Nos Estados Unidos, as principais bolsas fecharam em alta, apoiadas por resultados de empresas de tecnologia e pelo interesse dos investidores em companhias ligadas à inteligência artificial.
Pesquisa eleitoral aumenta cautela
O mercado reagiu à nova pesquisa Quaest sobre a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O levantamento apontou Flávio com 45% das intenções de voto e Lula com 44%, configurando empate técnico dentro da margem de erro. Na pesquisa anterior, realizada uma semana antes, o senador aparecia com 46%, enquanto o presidente mantinha 44%.
A redução da diferença numérica aumentou a incerteza entre os investidores, que acompanham as possíveis consequências do resultado eleitoral para a política fiscal e a condução da economia brasileira.
Nas últimas sessões, as expectativas em torno de uma eventual mudança na orientação econômica ajudaram a impulsionar os ativos locais. Com a disputa mais apertada, parte dos participantes do mercado passou a adotar uma postura mais defensiva, reduzindo posições em ações e buscando proteção no dólar.
A proximidade da votação também pode limitar movimentos mais expressivos de alocação, já que investidores preferem aguardar maior clareza sobre o resultado das urnas antes de definir novas estratégias para suas carteiras.
WEG lidera perdas após balanço
A queda das ações da WEG (WEGE3) foi um dos principais fatores de pressão sobre o Ibovespa. Os papéis da fabricante de motores elétricos, transformadores e equipamentos industriais recuaram cerca de 7,3%, fechando a R$ 45,21, após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026.
A companhia registrou lucro líquido de R$ 1,67 bilhão, crescimento de 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida avançou 5,7%, para R$ 10,86 bilhões, enquanto o Ebitda, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, aumentou 3,1%, para R$ 2,35 bilhões.
Apesar do crescimento dos indicadores, os números ficaram ligeiramente abaixo das expectativas de analistas. A principal preocupação esteve relacionada à rentabilidade: a margem Ebitda caiu de 22,2% para 21,6%, enquanto a margem bruta recuou de 33,6% para 32,9%.
Entre os fatores que pressionaram os resultados estão o aumento dos custos de matérias-primas, especialmente o cobre, as tarifas de importação nos Estados Unidos e as despesas maiores com pessoal durante a expansão da capacidade produtiva.
A área de geração, transmissão e distribuição de energia apresentou desempenho positivo, com receita de R$ 4,19 bilhões, alta de 13,8% em um ano. O resultado foi sustentado pela demanda por equipamentos para redes elétricas e projetos ligados à infraestrutura energética, incluindo o fornecimento de equipamentos para centros de dados.
O desempenho, contudo, não foi suficiente para compensar a reação negativa dos investidores às margens menores e aos resultados abaixo das projeções.
Outras ações também pressionam o índice
Além da WEG, outras empresas contribuíram para a queda do Ibovespa. A Hapvida recuou 8,48%, enquanto a Vale perdeu 2,15%, pressionada pelo desempenho negativo do setor de mineração. As ações preferenciais da Petrobras também fecharam em baixa, com recuo de 0,79%.
Por outro lado, algumas companhias registraram ganhos. A Totvs avançou 2,78%, beneficiada pelo movimento positivo das empresas de tecnologia no exterior. A TIM e a Telefônica Brasil também figuraram entre os destaques positivos do mercado.
A Embraer apresentou valorização, favorecida, em parte, pela alta do dólar. Empresas com receitas relevantes em moeda estrangeira podem se beneficiar da valorização da divisa norte-americana quando convertem seus resultados para reais, embora o efeito dependa da estrutura de custos e das operações de cada companhia.
Dólar sobe e interrompe sequência de quedas
O dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,17%, a R$ 5,027. O movimento refletiu a cautela provocada pelo cenário eleitoral e a procura por proteção cambial diante das incertezas sobre a política econômica após o segundo turno.
A moeda norte-americana também ganhou força em relação a outras divisas no mercado internacional, contribuindo para o avanço frente ao real. A valorização, entretanto, foi moderada, em uma sessão na qual o foco permaneceu concentrado no noticiário político brasileiro e nos resultados corporativos.
A trajetória do câmbio nos próximos dias dependerá da evolução das pesquisas eleitorais, do posicionamento dos investidores antes da votação e das condições externas, incluindo as expectativas para os juros nos Estados Unidos.






