A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, lançou nesta última quarta-feira, 21 de outubro de 2026, um novo fundo negociado em bolsa (ETF) voltado à robótica e às tecnologias relacionadas. O iShares Future Robotics and Related Technologies Active ETF, negociado sob o código RBTX na NYSE Arca, busca oferecer exposição a empresas que utilizam máquinas inteligentes para automatizar tarefas físicas em setores como transporte, logística e manufatura.
O lançamento amplia a linha de produtos da gestora ligados à inteligência artificial (IA), em um momento no qual os investidores procuram alternativas para aproveitar a expansão da tecnologia para além dos softwares e dos serviços digitais. A taxa de administração do novo fundo é de 0,65% ao ano, e a estratégia será gerida ativamente, com seleção de empresas pela equipe de investimentos da BlackRock.
A iniciativa também ocorre em meio à volatilidade recente das ações relacionadas à IA. Apesar das preocupações com avaliações elevadas e com o ritmo de retorno dos investimentos em tecnologia, a gestora avalia que a robótica pode representar uma nova etapa de adoção da inteligência artificial pela economia.
ETF busca empresas de toda a cadeia da robótica
O RBTX pretende investir em companhias que desenvolvem, fornecem, dão suporte ou implementam tecnologias de automação por meio de máquinas inteligentes. A proposta inclui diferentes partes da cadeia de valor da robótica, em vez de concentrar a carteira exclusivamente em fabricantes de robôs.
A estratégia permite buscar oportunidades em empresas que utilizam sistemas automatizados para aumentar a produtividade, melhorar a precisão de operações e reduzir a necessidade de tarefas repetitivas realizadas manualmente.
Na indústria, essas tecnologias podem ser aplicadas em linhas de montagem, inspeção de produtos e movimentação de materiais. No transporte e na logística, podem contribuir para o desenvolvimento de veículos autônomos, sistemas de armazenagem automatizados e operações mais eficientes.
O fundo será administrado por Tony Kim e Reid Menge, integrantes da equipe de tecnologia de ações da BlackRock. A estratégia é ativa, o que significa que os gestores selecionarão os investimentos com base em análises próprias, sem a obrigação de replicar a composição de um índice específico.
O ETF utiliza o MSCI ACWI Net como referência de desempenho e tem como objetivo maximizar o retorno total. Como ocorre com outros fundos temáticos, entretanto, o resultado dependerá do desempenho das empresas selecionadas e das condições do mercado.
BlackRock amplia opções para investir em IA
O lançamento do RBTX complementa uma plataforma de ETFs da iShares que já oferece diferentes formas de exposição à inteligência artificial. Entre os produtos estão fundos voltados a empresas inovadoras do setor, companhias que podem se beneficiar da adoção da tecnologia e fabricantes de semicondutores.
Um dos principais produtos dessa linha é o iShares A.I. Innovation and Tech Active ETF (BAI), lançado em outubro de 2024. Segundo a BlackRock, o fundo acumulava mais de US$ 14 bilhões em ativos em outubro de 2026.
A gestora também oferece o iShares Future AI & Tech ETF (ARTY), que busca exposição global a empresas de diferentes etapas da cadeia de inteligência artificial, e o iShares Future AI Beneficiaries ETF (AIBF), voltado a companhias norte-americanas que podem obter ganhos de produtividade ou crescimento de receita com a adoção da tecnologia. Já o iShares Semiconductor ETF (SOXX) acompanha empresas do setor de semicondutores.
Com o RBTX, a BlackRock acrescenta uma estratégia direcionada à aplicação física da inteligência artificial. A diferença é relevante porque a robótica envolve não apenas o desenvolvimento de algoritmos, mas também sensores, componentes eletrônicos, equipamentos industriais e sistemas capazes de executar ações no mundo real.
Volatilidade mantém investidores atentos aos riscos
A expansão da oferta de ETFs ligados à inteligência artificial acontece mesmo com a maior cautela dos investidores em relação ao setor. A valorização de empresas associadas à tecnologia nos últimos anos elevou as expectativas de crescimento e aumentou o debate sobre a capacidade de os resultados financeiros justificarem os preços das ações.
Jay Jacobs, responsável pelos ETFs de ações nos Estados Unidos na BlackRock, afirmou que a volatilidade recente reforça a importância de avaliar cuidadosamente a exposição à inteligência artificial. Segundo ele, a adoção da tecnologia pode ocorrer em ritmos diferentes entre os setores, enquanto os riscos continuam concentrados em um grupo relativamente limitado de empresas.
A criação de fundos especializados permite que investidores direcionem parte da carteira a segmentos específicos da cadeia tecnológica. Ao mesmo tempo, essa concentração pode aumentar a exposição a riscos setoriais, sobretudo quando as empresas dependem de investimentos elevados, enfrentam concorrência intensa ou ainda precisam demonstrar a rentabilidade de suas soluções.
No caso da robótica, o potencial de expansão depende da adoção das máquinas inteligentes pelas empresas, dos custos de implementação e da capacidade de transformar ganhos operacionais em resultados financeiros. A tecnologia pode avançar rapidamente em algumas atividades e encontrar obstáculos em outras.
Robótica pode ampliar o alcance da inteligência artificial
A aposta da BlackRock reflete uma mudança na forma como o mercado enxerga a inteligência artificial. Inicialmente associada principalmente a modelos de linguagem, aplicativos e serviços digitais, a tecnologia vem sendo incorporada a equipamentos físicos, processos industriais e sistemas autônomos.
Essa integração pode abrir oportunidades em diferentes segmentos, da fabricação de componentes à automação de operações logísticas. Contudo, o ritmo de crescimento dependerá da evolução tecnológica, da demanda corporativa e da capacidade de as empresas implementarem soluções em escala.
Para os investidores, o RBTX oferece uma alternativa para acessar esse segmento por meio de uma carteira diversificada de empresas, em vez de apostar em uma única companhia. Isso não elimina o risco de perdas, especialmente porque o fundo concentra sua estratégia em um tema específico e cobra uma taxa anual de 0,65%.
Com o novo ETF, a BlackRock reforça sua atuação no mercado de investimentos ligados à inteligência artificial e amplia as opções para quem deseja acompanhar a expansão da automação. O desempenho do produto, porém, dependerá da evolução da robótica e da capacidade das empresas da carteira de converter o avanço tecnológico em crescimento sustentável.






