A disputa global por minerais estratégicos ganhou um novo capítulo no Brasil. A mineradora australiana Viridis Mining and Minerals recebeu um financiamento de US$ 30 milhões ligado ao BNDES para acelerar seu projeto de terras raras em Poços de Caldas (MG), reforçando o papel brasileiro como peça-chave na cadeia global de suprimentos voltada à transição energética e à indústria de tecnologia.
O investimento foi realizado por meio de um fundo administrado por Ore Investments e Régia Capital, voltado ao apoio de projetos ligados a minerais críticos em operação ou em fase de desenvolvimento. Segundo informações publicadas pelo veículo Capital Reset, os recursos serão destinados principalmente à construção de uma planta-piloto e ao avanço do processo de licenciamento ambiental da futura operação industrial.
A estratégia da Viridis é transformar o projeto brasileiro em uma das próximas grandes fontes ocidentais de terras raras — grupo de elementos essenciais para a fabricação de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, smartphones, chips e sistemas militares. Atualmente, a cadeia global desses minerais é amplamente dominada pela China, o que levou Estados Unidos, Europa e aliados a buscarem novas fontes de fornecimento.
O projeto da companhia australiana em Minas Gerais surge em um momento em que o Brasil passa a ser visto como uma alternativa estratégica no mercado internacional. O país detém algumas das maiores reservas conhecidas de terras raras do mundo e tem atraído interesse crescente de investidores estrangeiros.
Além do aporte vindo do Brasil, a Viridis também informou possuir uma carta de intenções de uma agência de fomento da Austrália para receber outros US$ 50 milhões em crédito, ampliando sua capacidade financeira para colocar o projeto em operação.
A expectativa da empresa é iniciar a operação comercial em 2028, entrando de vez na corrida global por minerais críticos. Caso o cronograma seja cumprido, o empreendimento pode consolidar Minas Gerais como novo polo relevante de produção de terras raras no Ocidente.
Especialistas avaliam que movimentos como esse reforçam uma nova tendência: o Brasil deixa de ser apenas exportador tradicional de minério de ferro e passa a ganhar protagonismo também nos insumos estratégicos da economia verde e da corrida tecnológica mundial.






