A XP Investimentos avalia que o atual cenário de queda dos juros no Brasil abriu uma oportunidade para a compra de títulos prefixados do Tesouro Direto. Segundo relatório divulgado pela corretora e repercutido pelo Seu Dinheiro nesta última quarta-feira (23), esses investimentos apresentam condições favoráveis para superar o CDI nos próximos anos, especialmente para quem pretende manter os papéis até o vencimento.
A avaliação da instituição considera a possibilidade de contratar taxas elevadas antes de novas reduções da Selic. Diferentemente dos investimentos pós-fixados, cuja remuneração acompanha os juros da economia, os títulos prefixados garantem uma taxa definida no momento da aplicação, desde que sejam mantidos até a data de vencimento.
De acordo com Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, o momento atual reúne condições semelhantes às observadas em períodos anteriores de flexibilização monetária. Um levantamento da corretora mostrou que os títulos prefixados superaram o CDI em 68,8% das janelas de queda dos juros analisadas entre 2006 e 2025, considerando os papéis mantidos até o vencimento. Os maiores ganhos relativos ocorreram quando os ciclos de redução começaram com taxas de juros particularmente elevadas.
Expectativa de queda da Selic sustenta a estratégia
A XP projeta que a Selic termine 2026 em 13,25% ao ano e recue para 11,5% ao final de 2027. Caso esse cenário se concretize, aplicações vinculadas ao CDI terão sua remuneração gradualmente reduzida, enquanto os investidores que adquirirem títulos prefixados poderão preservar as taxas contratadas anteriormente.
O movimento já começou a aparecer nos preços dos títulos públicos. Em junho, o Tesouro Prefixado 2029 oferecia uma rentabilidade anual de 14,97%. Três meses depois, a taxa havia recuado para 13,81%. Já o Tesouro Prefixado 2032 ainda apresentava remuneração próxima de 14% ao ano, segundo os dados apresentados pela corretora.
Para ilustrar a diferença, uma aplicação hipotética de R$ 100 mil a uma taxa prefixada de 13,8% ao ano alcançaria aproximadamente R$ 129,5 mil após dois anos, antes de impostos e taxas. O resultado de uma aplicação pós-fixada no mesmo período dependeria da trajetória efetiva do CDI.
XP destaca títulos com vencimento em até três anos
Apesar da perspectiva favorável, a corretora chama atenção para os riscos associados aos prazos mais longos. Quanto maior o vencimento, maior tende a ser a sensibilidade do preço do título às mudanças nas expectativas de inflação, juros e situação fiscal do país.
No levantamento histórico, os papéis com vencimento em até três anos apresentaram uma combinação de risco e retorno mais equilibrada. Por esse motivo, a XP concentra sua preferência em títulos com prazos entre um ano e meio e três anos.
A principal vantagem apontada pela XP está na possibilidade de preservar uma remuneração elevada durante um período prolongado de redução da Selic. Entretanto, a rentabilidade superior ao CDI dependerá da evolução efetiva dos juros, e o ganho real também estará sujeito ao comportamento da inflação.
Para os investidores, a análise reforça a importância de adequar o vencimento do título ao prazo em que o dinheiro poderá permanecer aplicado. Quem precisar resgatar os recursos antecipadamente ficará exposto às oscilações de preço do Tesouro Direto e poderá obter um retorno inferior ao inicialmente contratado.






