A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras provocou uma forte reação negativa nos mercados financeiros nesta segunda-feira (26). A confirmação da reeleição do presidente, que derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL), surpreendeu investidores que vinham apostando em uma mudança de governo e em uma política fiscal mais rigorosa. Com isso, ações de empresas brasileiras negociadas no exterior e contratos futuros do real registraram perdas expressivas.
Enquanto os ativos brasileiros enfrentavam pressão, as bolsas internacionais apresentavam um desempenho mais moderado, com mercados europeus em alta e parte das bolsas asiáticas em queda. Os preços do petróleo também recuavam após terem alcançado, na semana anterior, o maior patamar em mais de quatro anos, contribuindo para aliviar parte das preocupações globais com a inflação e os custos de energia.
A reação negativa dos ativos brasileiros refletiu, principalmente, a reversão de posições montadas antes da eleição. Nas semanas que antecederam a votação, parte do mercado financeiro havia ampliado a exposição ao Brasil diante da possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro, que defendia redução de gastos públicos, privatizações e medidas favoráveis ao setor privado.
Com a vitória de Lula, investidores passaram a reavaliar as perspectivas para as contas públicas, a trajetória da dívida e a condução da política econômica a partir de 2027.
Ações brasileiras despencam nas negociações internacionais
Os primeiros sinais da reação apareceram nos mercados internacionais, onde os investidores conseguem negociar ativos brasileiros mesmo antes da abertura regular da Bolsa brasileira.
O fundo negociado em bolsa iShares MSCI Brazil (EWZ), listado nos Estados Unidos e composto por ações brasileiras, chegou a registrar queda de aproximadamente 26% nas negociações anteriores à abertura do mercado americano. Já os contratos futuros do real negociados no exterior recuaram cerca de 10% durante as negociações na Ásia, indicando uma forte pressão sobre a moeda brasileira.
Entre as empresas brasileiras com ações negociadas nos Estados Unidos, os bancos e as companhias do setor financeiro estiveram entre os mais afetados. Os recibos de ações do Itaú Unibanco e do Bradesco registraram perdas acentuadas, enquanto os papéis da Petrobras também recuaram de forma expressiva.
A XP apresentou uma das maiores quedas entre os ativos brasileiros negociados no exterior. O movimento refletiu a preocupação dos investidores com a possibilidade de juros elevados por mais tempo, caso o mercado passe a exigir uma remuneração maior para financiar o governo brasileiro.
Os números observados nas negociações internacionais não representam necessariamente o desempenho final das ações na B3. Os preços dos fundos e recibos negociados no exterior podem oscilar antes da abertura do mercado brasileiro e sofrer alterações ao longo do dia, conforme novas informações são incorporadas às negociações.
Mercado reverte otimismo anterior à eleição
A reação desta segunda-feira contrasta com o comportamento dos ativos brasileiros nas semanas anteriores ao segundo turno. Após Flávio Bolsonaro terminar a primeira rodada da eleição à frente de Lula, em 4 de outubro, investidores passaram a aumentar suas apostas em uma possível mudança no comando do governo federal.
Até a sexta-feira (23), o Ibovespa havia acumulado valorização de aproximadamente 7% em relação ao nível anterior ao primeiro turno. No mesmo período, o real havia se fortalecido cerca de 5% frente ao dólar.
A perspectiva de uma administração comprometida com o controle das despesas públicas alimentou expectativas de melhora na percepção de risco do país e de redução dos custos de financiamento. Parte dos investidores também apostava que uma mudança de governo poderia abrir espaço para juros menores no futuro.
A vitória de Lula alterou esse cenário. Com a manutenção do atual governo, os investidores passaram a questionar se as medidas fiscais serão suficientes para estabilizar a dívida pública e conter o crescimento dos gastos.
A reação também foi influenciada pela necessidade de desmontar posições financeiras construídas com base em um resultado eleitoral diferente. Quando muitos investidores apostam na mesma direção, uma surpresa pode provocar movimentos rápidos de venda e ampliar a volatilidade dos preços.






