O Zcash (ZEC), criptomoeda conhecida por seus recursos de privacidade, voltou a se aproximar da marca de US$ 1.300 após uma sequência de recuperação que interrompeu temporariamente a trajetória de queda registrada nas semanas anteriores. A valorização ocorre mesmo com retiradas de recursos de produtos de investimento ligados ao ativo, sinalizando uma divergência entre o comportamento do preço e os fluxos de capital.
Depois de alcançar cerca de US$ 1.700 no fim de setembro, o ZEC sofreu uma correção acentuada e chegou a recuar para a região de US$ 1.040 em outubro. Nos últimos pregões, porém, compradores voltaram ao mercado e impulsionaram uma recuperação que levou a cotação novamente para perto de US$ 1.300.
O movimento chama a atenção porque os fundos negociados em bolsa (ETFs) vinculados ao Zcash registraram saídas líquidas durante várias semanas. Isso indica que, embora parte dos investidores esteja retirando dinheiro desses produtos, a demanda em outros segmentos do mercado tem ajudado a sustentar o preço do token.
A recuperação foi acompanhada por mudanças recentes nos fluxos dos ETFs. Em 20 de outubro, os fundos à vista ligados ao Zcash registraram entradas líquidas de aproximadamente US$ 1,61 milhão, após uma sessão anterior marcada por saídas de US$ 10,45 milhões. Todo o fluxo positivo daquele dia foi direcionado ao produto ZCSH, da Grayscale. Apesar dessa melhora pontual, os dados ainda indicavam uma demanda irregular por esses investimentos.
Saídas de ETFs pressionaram o preço
A sequência de retiradas foi significativa. O ETF da Grayscale registrou saídas líquidas de US$ 93,56 milhões na semana encerrada em 2 de outubro, seguidas por US$ 30,72 milhões na semana seguinte e outros US$ 19,15 milhões na semana reportada em 19 de outubro. O movimento representou uma mudança em relação aos primeiros meses de negociação do produto, que havia atraído recursos desde seu lançamento, em agosto
As saídas dos fundos não explicam, isoladamente, toda a variação do preço do ZEC. A cotação também é influenciada pelas negociações diretas da criptomoeda, pelo posicionamento dos investidores no mercado de derivativos e pelo comportamento geral do setor de ativos digitais.
Outro indicador observado pelo mercado é o chamado open interest, que representa o valor das posições em contratos futuros ainda abertas. Em 19 de outubro, o volume financeiro dessas posições havia recuado para cerca de US$ 2,25 bilhões, ante US$ 2,56 bilhões na semana anterior, segundo dados citados pela FXStreet. A queda sugeria uma redução da exposição especulativa ao ativo durante o período de correção.
Região de US$ 1.300 é resistência importante
Com a recuperação recente, a faixa entre US$ 1.300 e US$ 1.350 passou a ser observada como uma área de resistência, na qual a pressão vendedora havia limitado tentativas anteriores de alta. Uma superação consistente dessa região poderia fortalecer o movimento de recuperação, enquanto uma nova rejeição poderia reabrir espaço para recuos.
A análise técnica publicada pela AMBCrypto em 21 de outubro apontava US$ 1.350 como um nível relevante para avaliar a continuidade da alta. Caso o preço não conseguisse superar essa faixa, o ativo poderia voltar a testar regiões inferiores, incluindo os níveis próximos de US$ 1.150 e o suporte observado anteriormente em torno de US$ 1.040. Esses níveis são referências de análise de mercado, não garantias de movimentos futuros.
O cenário do Zcash reúne, portanto, sinais distintos: a recuperação da cotação e a retomada pontual de entradas em ETFs contrastam com semanas de saídas de capital e com a redução anterior das posições em futuros. A capacidade de manter o preço perto de US$ 1.300 dependerá da continuidade da demanda e das condições gerais do mercado de criptomoedas.






