As bolsas da América Latina registraram alta, enquanto as moedas da região apresentaram desempenho misto, em meio ao aumento das expectativas de avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã. O movimento ocorreu em um cenário de recuo dos preços do petróleo e de maior apetite por ativos de risco, com investidores acompanhando também os próximos indicadores econômicos e as decisões dos bancos centrais.
A perspectiva de uma possível aproximação entre Washington e Teerã ajudou a reduzir parte dos temores relacionados ao fornecimento global de energia. O petróleo Brent chegou a ser negociado abaixo de US$ 100 por barril durante a sessão, antes de recuperar parte das perdas. Na segunda-feira, a commodity encerrou com queda de 3,4%, a US$ 100,34.
O movimento no petróleo é particularmente relevante para os mercados emergentes, já que preços mais baixos da commodity podem aliviar pressões inflacionárias e reduzir os custos de energia. Com isso, investidores passaram a avaliar um cenário potencialmente menos adverso para a política monetária de países que ainda enfrentam inflação elevada.
No Brasil, o real avançou 0,72% e terminou cotado a R$ 5,1080 por dólar, enquanto o Ibovespa subiu 0,82%, aos 186.752 pontos, segundo dados da Reuters. A alta do mercado acionário brasileiro acompanhou o desempenho positivo das bolsas internacionais e o ambiente de maior procura por ativos de risco.
No México, o peso operou próximo da estabilidade, enquanto o principal índice acionário do país avançou 0,25%, aos 63.535 pontos. O mercado mexicano também acompanhava a decisão do Banco do México sobre a taxa de juros, em um contexto de inflação subjacente ainda considerada persistente.
Na Colômbia, o peso caiu 0,68%, para 3.199 unidades por dólar, completando seis sessões consecutivas de desvalorização. Apesar da pressão sobre a moeda, o índice MSCI COLCAP avançou 0,68%, mostrando que o comportamento das bolsas e dos mercados de câmbio não foi uniforme na região.
O peso chileno, por outro lado, ganhou 1,29%, para a faixa de 947,20 a 947,50 unidades por dólar. A moeda foi favorecida pelo enfraquecimento global do dólar e pela valorização do cobre, uma das principais commodities de exportação do Chile. O IPSA, principal índice acionário da Bolsa de Santiago, recuou 0,21%.
No Peru, o sol também se valorizou, com alta de 0,15%, enquanto a Bolsa de Lima avançou 1,05%. Na Argentina, o peso interbancário teve valorização marginal de 0,03%, enquanto o índice S&P Merval caiu 0,76%. O mercado argentino também estava atento à visita de uma missão do Fundo Monetário Internacional para a terceira revisão do programa de US$ 20 bilhões firmado com o país.
O cenário externo continuou sendo determinado pelas perspectivas para o conflito no Oriente Médio. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que estaria disposto a se reunir com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Nesta terça-feira (22), Trump voltou a dizer que acredita na possibilidade de um acordo entre os dois países.
Além da questão geopolítica, os investidores monitoram a trajetória dos juros nos Estados Unidos. O Federal Reserve elevou a taxa básica na semana anterior para a faixa de 3,75% a 4% e manteve aberta a possibilidade de novos aumentos caso a inflação permaneça acima da meta. O cenário de juros mais altos continua influenciando o dólar, os títulos do Tesouro americano e os fluxos de capital para mercados emergentes.
O mercado também acompanha os próximos dados econômicos em busca de sinais sobre crescimento, inflação e atividade. Na América Latina, essas informações podem influenciar diretamente as expectativas para as taxas de juros e, consequentemente, o comportamento das moedas e das bolsas.
Assim, o desempenho dos ativos latino-americanos permanece condicionado a uma combinação de fatores externos: a evolução das negociações entre Estados Unidos e Irã, os preços do petróleo, a trajetória dos juros americanos e os indicadores econômicos de cada país. Qualquer mudança nas perspectivas para o conflito ou para a oferta global de energia pode voltar a provocar oscilações nos mercados da região.






