A Braskem e seus credores financeiros ainda não chegaram a um acordo definitivo para reestruturar cerca de US$ 11 bilhões em dívidas, em meio a divergências sobre a participação dos acionistas no aporte de novos recursos e a conversão de débitos em ações. Apesar do impasse, as negociações avançaram nos últimos dias, e as partes discutem propostas que podem abrir caminho para uma solução.
A petroquímica brasileira entrou com um pedido de recuperação extrajudicial em agosto de 2026, buscando reorganizar suas obrigações financeiras e evitar uma recuperação judicial. O processo permite que a companhia negocie diretamente com seus credores sob um mecanismo legal que oferece condições para estruturar um plano de reestruturação.
Segundo informações divulgadas pela Bloomberg News neste domingo (25), propostas apresentadas pela empresa e pelos credores preveem uma oferta subsequente de ações, conhecida como follow-on, com participação dos principais acionistas e de terceiros, além da conversão de parte da dívida em participação acionária.
Embora os termos discutidos representem uma aproximação entre as partes, ainda existem diferenças relevantes sobre os valores, as garantias e as responsabilidades de cada participante. Por isso, o avanço das conversas não significa que o acordo esteja concluído.
Divergências sobre o aporte de capital
Um dos principais pontos de conflito envolve a quantia que os acionistas controladores devem aportar ou garantir para sustentar a reestruturação. Os credores defendem uma contribuição mais robusta de capital novo, enquanto os acionistas avaliam as condições financeiras e os riscos envolvidos em assumir compromissos adicionais.
A proposta da Braskem prevê que os credores convertam aproximadamente US$ 2,8 bilhões em ações, enquanto os principais acionistas e terceiros contribuiriam com US$ 1,2 bilhão em uma oferta de ações de US$ 2,25 bilhões. O plano também contempla a possibilidade de um aporte adicional de até US$ 500 milhões pelos acionistas e uma contribuição de até US$ 1,5 bilhão pelos credores em junho de 2029, caso determinadas metas financeiras não sejam alcançadas.
Os credores, por sua vez, propõem uma conversão imediata de US$ 1,85 bilhão em ações e defendem que US$ 1,85 bilhão da oferta subsequente seja garantido pelos principais acionistas ou por terceiros. A proposta também prevê um compromisso adicional de US$ 450 milhões em junho de 2029, condicionado à necessidade de novos recursos.
As diferenças entre os modelos envolvem não apenas o volume de dinheiro a ser disponibilizado, mas também a distribuição dos riscos e a estrutura de capital que a empresa terá após a reestruturação.
Petrobras e IG4 continuam no centro das negociações
A Petrobras e a IG4 Capital, principais acionistas da Braskem, desempenham papel central nas discussões sobre a reestruturação. A proposta da companhia prevê a manutenção do controle e da gestão pelos atuais acionistas principais.
Anteriormente, os credores haviam solicitado um aporte de US$ 3 bilhões em capital novo por parte dos controladores, mas o pedido foi rejeitado. A divergência reflete a dificuldade de definir quanto do esforço financeiro deverá ser assumido pelos acionistas e quanto poderá ser absorvido por meio da conversão de dívidas em ações.
A Petrobras, que tem participação na petroquímica, enfrenta o desafio de avaliar um eventual aporte adicional sem assumir sozinha os custos da reestruturação. A IG4 também participa das discussões sobre o futuro da companhia.
Prazo se aproxima e recuperação judicial segue como risco
As partes têm até 22 de novembro de 2026 para chegar a um acordo, embora haja expectativa de que as negociações possam ser concluídas antes desse prazo. A ausência de consenso mantém a pressão sobre a Braskem para definir uma estrutura de capital sustentável e garantir a continuidade de suas operações.
A recuperação extrajudicial foi apresentada como uma alternativa para reorganizar as obrigações financeiras sem recorrer imediatamente à recuperação judicial. Caso as negociações fracassem e a empresa não consiga obter o apoio necessário dos credores, outras medidas poderão ser consideradas.
A reestruturação é importante para a companhia, que enfrenta um elevado endividamento em meio às dificuldades do setor petroquímico e aos impactos financeiros relacionados ao desastre geológico em Alagoas.
O desfecho das conversas deverá determinar não apenas as condições de pagamento da dívida, mas também a distribuição do controle acionário e a capacidade da empresa de obter novos recursos. Por enquanto, apesar da aproximação entre as propostas, não há acordo definitivo, e os termos continuam sujeitos a negociações.






