O Ceará registrou um crescimento de 82% nas exportações no primeiro semestre de 2025, na comparação com o mesmo período do ano passado. A recuperação da economia global, a diversificação dos produtos e o aumento da demanda internacional ajudaram a impulsionar o desempenho do estado, que alcançou US$ 1,7 bilhão em produtos vendidos ao exterior nos primeiros seis meses do ano. O dado é parte do Ceará em Comex, estudo de inteligência comercial elaborado pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), que acompanha mensalmente o desempenho do estado no mercado internacional.
Os principais produtos exportados nesse período foram o ferro e aço (49,89% do total), calçados (9,73%), cera de carnaúba (5,50%), outros setores e produtos (5,46%), produtos minerais (5,5%), frutas (4,45%) e pescados (4,27%). No ranking dos municípios cearenses que mais exportaram, São Gonçalo do Amarante lidera com 49,84% de participação, seguido por Fortaleza (12,92%), Sobral (5,50%), Maracanaú (4,09%) e Icapuí (4,09%). Esses cinco municípios concentram mais de 80% de todas as exportações do estado. Já os principais destinos foram Estados Unidos (50,30%), China (5,79%), França (5,50%), Países Baixos (3,84%) e Reino Unido (3,10%).
Para o secretário do Desenvolvimento Econômico do Ceará, Silvio Carlos, o cenário é positivo e aponta para um segundo semestre ainda mais forte, especialmente com o avanço do agronegócio. “O ano de 2025 iniciou com forte acréscimo nas exportações da castanha de caju, cera de carnaúba, pescados, frutas, mel e suco de frutas, chegando a cerca de 30% de aumento no total dos produtos em relação a 2024. Com os investimentos previstos na fruticultura e o segundo semestre, que historicamente tem maior volume de embarques, as expectativas são ainda melhores”, avalia o secretário.
Destaque
Um dos destaques da pauta exportadora cearense é o aço, produto responsável por quase metade das vendas externas do estado. No entanto, as recentes medidas do governo dos Estados Unidos, que impuseram tarifas de até 50% sobre a importação de aço, geraram preocupações. Segundo o economista Thiago Holanda, conselheiro do Corecon-CE, as sobretaxas podem reduzir a demanda dos EUA por produtos cearenses. “Alguns estudos apontam que a produção e exportações brasileiras de aço podem recuar entre 2% e 11% só em 2025. Isso pode pressionar a indústria local do Ceará a redirecionar volumes para outros mercados, reduzir preços e enfrentar perdas de margem. Uma alternativa estratégica seria buscar novos destinos comerciais ou agregar valor ao produto, fugindo da competição tarifária direta”, analisa.
A expectativa é que o Ceará continue crescendo nas exportações ao longo do ano, especialmente com o fortalecimento da infraestrutura logística e a consolidação de novos acordos comerciais. O momento, apesar dos desafios internacionais, é visto como uma oportunidade para o estado expandir sua presença no mercado global e gerar mais desenvolvimento econômico regional.






