O Ceará ampliou em 15,8% os investimentos públicos em 2025, passando de R$ 4,12 bilhões no ano anterior para R$ 4,78 bilhões — o maior valor da série histórica analisada. O avanço ficou acima da média nacional de 7,9%, considerando valores corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro.
No Nordeste, o Ceará ficou em 5º lugar no crescimento percentual dos investimentos, atrás de Sergipe (62,8%), Maranhão (59%), Pernambuco (39,7%) e Paraíba (32,6%). Essa colocação se explica porque os outros estados partem de uma base menor de aportes, o que faz o incremento render um percentual mais alto.
Já em volume de recursos investidos, o Ceará sobe para o 3º lugar, com R$ 4,78 bilhões, superado apenas pela Bahia (R$ 8 bilhões), que líder regional desde 2017, e pelo Maranhão (R$ 5,29 bilhões).
Sergipe, por exemplo, teve a maior alta da região, mas saiu de R$ 819,4 milhões em 2024 para R$ 1,33 bilhão. Em termos absolutos, o aumento foi de cerca de R$ 515 milhões — inferior aos mais de R$ 650 milhões acrescidos pelo Ceará no período.
“O fato de o Ceará crescer sobre uma base já elevada tende a limitar taxas percentuais mais expressivas, diferentemente de estados que partem de patamares menores e, por isso, apresentam variações mais acentuadas”, destaca o coordenador do Observatório de Finanças e Orçamento Público da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Manuel Salgueiro Rodrigues Júnior.
Com isso, o docente alerta que essa posição no ranking de crescimento percentual deve ser relativizada, uma vez que não reflete integralmente a capacidade de investimento em termos absolutos.
Sócio-diretor da Aequus, o economista Alberto Borges destaca que, diferentemente de outros estados nordestinos, o Ceará tem mantido o fluxo de investimento relativamente estável ao longo dos anos.
“Normalmente, tem um ciclo muito forte de início e final de gestão, tende a cair no começo e a aumentar no final. No caso do Ceará, não. Isso é um fato muito salutar e muito difícil de se ver”, afirma.
Para o economista, o quadro fiscal do Ceará é positivo, com manutenção do nível de investimentos relativamente estável, baixo endividamento e reserva de caixa.
“No geral, hoje, é um estado que tem uma saúde fiscal relativamente boa. E, é claro, como todo estado do Brasil, a demanda por serviços é muito grande, tem que estar sempre atento aos riscos fiscais”, complementa.
Em nota enviada ao Diário do Nordeste, a Secretaria do Planejamento e Gestão do Ceará (Seplag) destacou que o nível recorde de aportes evidencia a consistência da trajetória de investimentos do Estado, “aliando volume de recursos, capacidade de execução e solidez fiscal para sustentar esse ritmo ao longo do tempo”.
Despesa com transportes lidera em valores empenhados
Na última quinta-feira (16), o secretário da Fazenda do Ceará, Fabrízio Gomes, comparececu à Comissão de Orçamento, Finanças e Tributação (COFT) da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) para apresentar a Demonstração e Avaliação do Cumprimento das Metas Fiscais do 3° Quadrimestre de 2025.
O investimento recorde do Estado foi um dos pontos destacados pelo gestor, que elencou as áreas com mais recursos aportados.
Em primeiro lugar aparece o transporte, com R$ 1,4 bilhão empenhados em 2025. Em seguida, estão a gestão ambiental (R$ 1,067 bilhão), educação (R$ 717 milhões) e urbanismo (R$ 350 milhões).
Manuel Salgueiro ressalta a composição dos investimentos do Estado, que tem direcionado recursos para áreas estratégicas, como segurança hídrica, educação, infraestrutura urbana e transporte.
“Esses investimentos possuem elevado potencial de retorno econômico e social, contribuindo tanto para a melhoria das condições de vida da população quanto para o dinamismo da atividade econômica”, avalia.
O docente pontua que a consistência fiscal do Ceará é elemento fundamental para a sustentabilidade desses investimentos e que a manutenção de equilíbrio nas contas públicas permite a preservação da capacidade de investimento e a redução da dependência de ciclos econômicos ou de receitas extraordinárias.
Mesmo perdendo uma posição no ranking de investimentos, o Ceará mantém um padrão robusto, sustentado por uma base elevada, por escolhas estratégicas de alocação de recursos e por fundamentos fiscais consistentes, o que o posiciona de forma relevante no contexto da região Nordeste.
Em nota enviada ao Diário do Nordeste, a Secretaria do Planejamento e Gestão do Estado (Seplag) destacou que, para 2026, as seguintes iniciativas permanecem como prioridades:
- Ampliação dos serviços de esgotamento sanitário e abastecimento de água;
- Implantação do projeto Malha D’Água (Sistema Banabuiú–Sertão Central);
- Construção do Cinturão das Águas;
- Implantação da Linha Leste do metrô;
- Pavimentação e a conservação de rodovias;
- Execução do VLT Ramal Aeroporto;
- Construção de escolas de tempo integral;
- Reforço à rede de saúde, com medicamentos, cirurgias eletivas e novos hospitais regionais.
No comunicado, o Governo do Ceará ressaltou que os investimentos não se limitam à infraestrutura básica, que impulsiona a formação bruta de capital fixo, incluindo também a área social. Com isso, a Seplag destacou a ampliação dos aportes no Ceará Sem Fome, programa de combate à insegurança alimentar.
“A iniciativa produz um importante efeito multiplicador sobre o emprego, a renda e a atividade comercial em todos os municípios cearenses, ao estimular a compra de produtos no comércio local”, acrescentou.
A ação atua em duas frentes principais:
- Cartão Ceará Sem Fome, com o qual a população em situação de pobreza ou extrema pobreza beneficiada pelo programa recebe mensalmente R$ 300 para alimentação;
- Rede de Unidades Sociais Produtoras de Refeições, cozinhas localizadas na Capital e no Interior que produzem e entregam uma refeição para as pessoas acolhidas pela iniciativa durante cinco dias na semana.
Entre as despesas prioritárias do Estado, relacionadas à manutenção dos serviços públicos essenciais e ao cumprimento das obrigações legais, a Seplag cita as despesas com pessoal e encargos sociais, além de saúde, educação, segurança pública e proteção social.
“Também se inserem nesse grupo o serviço da dívida e a continuidade de investimentos estruturantes voltados à ampliação da capacidade de atendimento do Estado e à promoção do desenvolvimento econômico e social”, complementa.
Ceará triplica operações de crédito
Outro destaque do levantamento da Aequus é o volume de operações de crédito do governo estadual, que atingiu o maior nível da série histórica e mais que triplicou entre 2024 e 2025.






