O Ceará e o Brasil tem um plano para estimular a atração de data centers. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vai se reunir nos Estados Unidos com big techs e apresentar os detalhes. No rol de empresas estão a Nvidia e a Amazon. Qual é a ideia? Destravar a instalação dessas estruturas no País e transformar o Brasil em um polo de conectividade.
O Governo prevê um regime tributário diferenciado para as companhias, isentando investimentos em centrais de dados de tributos como PIS/Cofins e IPI – o programa deverá se chamar “Redata”. Em contrapartida, as interessadas deverão cumprir requisitos como reserva de poder computacional para o mercado local, além de destinar parte das receitas para pesquisas no Brasil. Os investimentos privados são estimados em R$ 2 trilhões ao longo de dez anos.
O Ceará é um dos fortes candidatos a ser protagonista. Mas o que diferencia o estado dos eventuais concorrentes? Para começar, a operação de centrais de dados já consolidadas. Um deles é o AngoNAP, inaugurado em 2019 pela estrangeira Angola Cables. O valor chegou à cifra de R$ 1,2 bilhão, na Praia do Futuro. Quem também aposta na expertise é a empresa V.tal, com o Mega Lobster. O empreendimento, também na Praia do Futuro, teve suas obras iniciadas em outubro de 2024. A previsão é que o projeto esteja operacional em 2026. O total de investimentos gira em R$ 500 milhões. O fato é que os data centers beneficiam empresas de tecnologia, provedores de internet e operadoras de telecomunicações, garantindo baixa latência na transferência de dados.
O segundo ponto de destaque é a localização estratégica, o que garante a Fortaleza o posto de segunda cidade mais conectada do mundo. No total, são 17 cabos submarinos homologados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ancorados na capital cearense, conectando o Brasil à Europa, África e Américas. Outro equipamento que está em fase de análise é o cabo submarino da Meta (Projeto Waterworth). Segundo pesquisas, será a maior estrutura do mundo em termos de extensão, preparada para suportar o aumento da demanda por inteligência artificial e serviços digitais.
A empresa divulgou um mapa em que aparece Fortaleza como um dos pontos de ancoragem no País. O último diferencial do Ceará são as energias renováveis, especialmente o hidrogênio verde. A diversificação da matriz energética é capaz de alimentar as estruturas que necessitam de volumes colossais de eletricidade. Com o desenvolvimento do hub de H2V, considerando a assinatura de diversos protocolos e sinalizações de investimentos, a energia deverá ser um fator a menos com que as empresas precisem se preocupar.
Gargalos
Apesar de o Ceará ser um “candidato natural” ao protagonismo no programa de data centers, um problema recorrente pode prejudicar a atração dessas estruturas: as linhas de transmissão. Como os empreendimentos demandarão altas somas de energia, necessitam de conexão com fontes geradoras – leia-se usinas solares, eólicas ou de H2V. Sem essas conexões, não há operação. Ciente do problema, o Governo do Estado foi até a China buscar empresas privadas com o objetivo de desenvolver as linhas de transmissão – uma atribuição do Governo Federal.
O Estado conhece as limitações e a demora no âmbito federal, uma vez que são necessários leilões. O processo exige estudos, publicação de editais, licitações, assinatura de contratos e, só então, o início das construções. Há outro fator, desta vez, relacionado ao próprio programa: o plano federal desestimula a instalação de data centers fora das ZPEs, o que garante que eles não fiquem restritos à exportação. O Governo Federal, inclusive, estuda mecanismos para evitar que os projetos já existentes sejam penalizados.
Caberá ao Ceará negociar de forma estratégica com os atores políticos, econômicos e usar toda a sabedoria para ocupar o seleto mercado global da tecnologia de dados.






