À primeira vista, o cenário parece um sonho: o dólar fechou 2025 com uma queda de quase 10% e, agora nestes primeiros meses de 2026, atingiu o patamar mais baixo em quatro anos. Para o senso comum, é hora de comemorar.
Mas para quem vive o dia a dia da importação, o sentimento é outro: cautela. No comércio exterior, preço baixo é bom, mas a falta de previsibilidade é um fator preocupante.
O problema é que o câmbio não está apenas “baixo”, ele está instável. E importar não é uma compra por impulso, mas uma longa e complexa engrenagem, cheia de intermediários e etapas. Quando a moeda oscila muito, toda a estrutura de custos é impactada: o frete encarece e o crédito fica mais difícil (os bancos elevam suas margens para se garantir diante do risco).
Muitas vezes, o importador espera para fazer a compra, apostando que a queda vai continuar, contudo, é uma aposta perigosa. Se o dólar sobe enquanto a carga está no mar, o lucro planejado pode ser comprometido antes mesmo de a mercadoria chegar ao porto.
Essa falta de previsibilidade gera um efeito cascata paralisante. Afinal, como definir o preço de venda de um produto se não há clareza sobre o custo de reposição amanhã? A incerteza cambial não apenas afeta o resultado, ela paralisa decisões, trava o capital de giro e reduz competitividade.
Como negociar com varejistas e distribuidores sem clareza? Esse cenário drena a competitividade e trava o capital de giro com estoques desnecessários.
Assim, a grande lição desse momento é que a importação não é um evento isolado, mas um processo contínuo que exige proteção. Não dá para gerir um negócio na base da torcida por uma queda do dólar. Felizmente, não faltam ferramentas para quem quer operar com segurança.
Estratégias como a trava cambial permitem fixar previamente a taxa de uma operação futura (câmbio futuro), garantindo maior controle sobre custos e protegendo margens. Já o swap cambial funciona como um mecanismo de compensação financeira, utilizando taxas atreladas como Selic, reduzindo os efeitos adversos das variações do dólar.
Há também caminhos estruturais, como a diversificação de fornecedores e a adoção de um planejamento financeiro robusto, apoiado em cenários e políticas diversas para apoiar as operações.
No fim das contas, o sucesso do importador hoje não depende da direção da moeda, mas da sua capacidade de se proteger das curvas e percalços pelo caminho. O dólar oscila, mas a estratégia precisa ser estável e com foco no longo prazo.






