Para Bruno Perri, economista-chefe da Fórum Investimentos, o clima global é de maior apetite por ativos de risco (ações, por exemplo), o que “traz bons ventos ao mercado brasileiro”. Ele observa que, nesta terça-feira, essa tendência positiva foi reforçada pelos dados parciais da inflação de janeiro.
Inflação
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de janeiro, a prévia da inflação oficial do Brasil, registrou alta de 0,20%. Com isso, ficou abaixo do resultado de dezembro (0,25%). Em 12 meses, o índice acumula elevação de 4,50%.
Os números ficaram pouco abaixo das previsões do mercado. Analistas da Reuters, por exemplo, estimavam uma alta de 0,21% neste mês e de 4,51% no período de um ano. Com o resultado, os juros futuros também recuaram no Brasil.
Dólar no mundo
No cenário global, o dólar também caiu. O índice DXY, que compara o desempenho da divisa americana com outras seis (iene, euro, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço), acusava queda de 0,83%, aos 96,22 pontos, às 16h53.
Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, a forte queda do dólar frente ao real foi impulsionada pela diferença de juros entre os EUA e o Brasil, que sustenta o “carry trade”. Esse é o nome dado à estratégia em que investidores tomam empréstimos em uma moeda com juros baixos (em países desenvolvidos, por exemplo) e investem esses recursos em uma moeda com juros altos (no caso, o Brasil e outros emergentes).
Ibovespa
Sobre o Ibovespa, a analista observa que ele foi impulsionado nesta terça-feira pela valorização das commodities (especialmente minério de ferro e petróleo), o “que favorece o fluxo estrangeiro e sustenta o real”. “As entradas de recursos no Brasil já totalizam um saldo positivo de US$ 17,7 bilhões neste ano na B3, sendo US$ 2 bilhões somente na última sexta-feira”, diz.
No exterior, acresceta Zogbi, as bolsas americanas apresentam sinais mistos. O S&P500 bateu máxima histórica durante o pregão (intraday, no jargão) e o Nasdaq subiu forte. “O Dow Jones foi puxado para baixo por teses específicas, como UnitedHealth, em meio a um noticiário negativo sobre os aumentos de preços de planos de saúde abaixo do esperado”, afirma.
À espera da “superquarta”
Para ela, tanto domesticamente quanto nos EUA, os investidores aguardam a “superquarta”, que deve ditar o tom dos mercados no resto da semana. Nesta quarta-feira (28/1) os bancos centrais americano e brasileiro anunciam as taxas de juros das duas economias.
“As apostas amplamente majoritárias são de manutenção, tanto no Brasil quanto nos EUA”, diz Zogbi. “Mas há bem mais divergência sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (C0pom), do Banco Central (BC), principalmente depois dos dados positivos de inflação, com o IPCA-15 de janeiro vindo abaixo do esperado, com o acumulado em 12 meses ficando em 4,5%, dentro do teto da meta do BC.”