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A empreendedora Neide Rodrigues, 47 anos, queria digitalizar a rede de empreendedoras negras da qual fazia parte em Fortaleza (CE). Formada em serviço social, ela tocava desde 2012 a marca de turbantes Xica Pilica e participava de feiras com outras artesãs. No fim de 2019, ela e a amiga Maria Helena de Souza, 42, inscreveram o projeto Casa de Xicas num edital do fundo de investimento afirmativo Baobá. Conseguiram um aporte de R$ 30 mil, que serviu para montar um site e impulsionar a comunicação da rede de empreendedoras cearenses.
No ano passado, a Casa de Xicas deu outro passo, tornando-se uma loja colaborativa no Shopping Benfica, na capital cearense. “Não somos apenas a loja. Somos um negócio social. Nosso sonho é virar uma casa de formação em que as artesãs troquem saberes, vendam seus produtos e façam parte da rota turística da cidade”, diz Rodrigues, que tem Souza – empreendedora do ramo de acessórios – como sócia. A empresa fatura R$ 35 mil mensais.
Para a fundadora, o diferencial da Casa de Xicas é a relação com as empreendedoras participantes. Rodrigues relata que a rede se importa em manter a tradição carregada por algumas artesãs idosas que produzem, por exemplo, rendas, bordados e macramês.
Atualmente, a Casa de Xicas cobra de R$ 200 a R$ 500 mensais para as empreendedoras expositoras, além de uma taxa de 10% sobre suas vendas. Rodrigues se orgulha de ter um portfólio diverso no negócio. Apesar do foco em mulheres negras, há uma diversidade racial, de gênero e orientação sexual, além de uma convivência religiosa entre as empreendedoras. “Temos empreendedoras mães de santo, uma pastora e uma ministra da igreja católica. Todas brincam e trocam experiências. É uma energia muito boa de respeito”, diz.
Rodrigues conta que já tem conversas com o governo local sobre o sonho de ter uma casa que una capacitação, convivência e cultura. “Damos um acolhimento às mulheres empreendedoras que o poder público não dá. Queremos criar um espaço de transformação. Também precisaremos buscar linhas de crédito e ter apoiadores”, planeja Rodrigues.






