Recentemente, a empresa foi citada em uma ação liderada pelo Texas, que acusa gestores de ativos de violar leis antitruste ao implementar estratégias climáticas que supostamente prejudicam a produção de carvão.
Pressão política e impacto no setor financeiro
A decisão da BlackRock ocorre em um momento de crescente resistência política nos Estados Unidos contra iniciativas climáticas.
Com a posse iminente de Donald Trump em um novo mandato presidencial, espera-se que a pressão sobre Wall Street aumente ainda mais. A saída da BlackRock segue uma onda de desligamentos de grandes bancos americanos da Net-Zero Banking Alliance, incluindo Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Wells Fargo e Citigroup.
“Embora a participação na NZAMi não tenha impactado como gerimos os portfólios dos clientes, nossa saída reflete a necessidade de evitar confusões e riscos legais crescentes”, afirmou a BlackRock em sua carta, assinada pelo vice-presidente Philipp Hildebrand e pela chefe global de soluções sustentáveis, Helen Lees-Jones.
Compromissos climáticos e o futuro da BlackRock
Apesar de sua saída do grupo, a BlackRock reforçou seu compromisso com investimentos sustentáveis. A empresa afirmou administrar mais de US$ 1 trilhão (R$ 6,1 trilhões) em estratégias de transição climática e sustentáveis até setembro de 2024. Além disso, cerca de dois terços de seus maiores clientes, especialmente na Europa, mantêm compromissos de neutralidade de carbono.
A Net Zero Asset Managers Initiative, da qual a BlackRock fazia parte, reúne cerca de 325 gestores de ativos que administram US$ 50 trilhões (R$ 302 trilhões) globalmente. Entre as gigantes do setor, a Vanguard deixou o grupo em 2022, enquanto a State Street Global Advisors permanece como membro.
Conflitos e desafios
Larry Fink, CEO da BlackRock, era um defensor fervoroso das estratégias ESG (ambientais, sociais e de governança). Porém, diante de críticas e da retirada de bilhões de dólares por estados controlados pelos republicanos, Fink deixou de usar o termo ESG, alegando sua politização excessiva.
“A saída da BlackRock reflete pressões políticas e insatisfação de acionistas que veem prejuízo nos negócios devido a agendas climáticas”, disse Erik Gordon, professor da Ross School of Business da Universidade de Michigan.
Com a crescente polarização em torno de temas climáticos, a decisão da BlackRock pode sinalizar um impacto mais amplo no setor financeiro, que busca equilibrar compromissos ambientais com as demandas de investidores e legisladores.