O Fundo Monetário Internacional (FMI) confirmou que o aumento das reservas de bitcoin de El Salvador desde meados de 2025 foi financiado exclusivamente por doações privadas, sem utilização de recursos públicos. A informação foi divulgada durante a conclusão da revisão do programa de assistência financeira firmado entre o organismo e o governo do presidente Nayib Bukele, encerrando meses de especulações sobre a origem dos ativos digitais adicionados às reservas do país.
Segundo o FMI, a documentação apresentada pelas autoridades salvadorenhas comprova que todas as aquisições recentes de bitcoin decorreram de contribuições privadas, sem impacto sobre o orçamento público. O órgão também afirmou que não há expectativa de novas compras de criptomoedas além das doações já documentadas, em linha com os compromissos assumidos por El Salvador no acordo de financiamento firmado com a instituição.
O esclarecimento faz parte das exigências estabelecidas pelo programa de empréstimo de aproximadamente US$ 1,4 bilhão concedido pelo FMI ao país. Entre as condições do acordo estão a redução da exposição do setor público ao bitcoin, o fortalecimento da transparência na gestão dos ativos digitais e a implementação de reformas fiscais e financeiras destinadas a reforçar a estabilidade macroeconômica de El Salvador.
Além da confirmação sobre a origem dos recursos, o FMI informou que o governo salvadorenho transferiu a participação majoritária e o controle operacional da carteira digital estatal Chivo Wallet para um operador privado. O Estado manterá apenas uma participação minoritária e continuará responsável pela custódia de parte dos ativos, medida que busca reduzir os riscos fiscais associados ao projeto iniciado em 2021.
A relação entre El Salvador e o FMI passou por momentos de tensão desde que o país adotou o bitcoin como moeda de curso legal. O organismo internacional sempre manifestou preocupação com os riscos relacionados à volatilidade da criptomoeda, à transparência das operações e aos possíveis impactos sobre as contas públicas. Nos últimos meses, contudo, o governo de Bukele implementou mudanças para atender às exigências do Fundo, incluindo maior divulgação de informações sobre as reservas em bitcoin e a redução da participação estatal no projeto.
Analistas avaliam que a confirmação de que não houve utilização de dinheiro público nas aquisições recentes ajuda a reduzir parte das preocupações dos credores internacionais quanto à disciplina fiscal do país. Ainda assim, o mercado continuará acompanhando de perto o cumprimento das demais metas do programa com o FMI, especialmente as relacionadas à transparência na gestão dos ativos digitais e à sustentabilidade das finanças públicas.
Na avaliação de especialistas, o episódio representa um passo importante para reconstruir a confiança entre El Salvador e organismos multilaterais. Embora o bitcoin permaneça como parte da estratégia econômica do país, a sinalização de que futuras ampliações das reservas dependerão apenas de doações privadas indica uma mudança de postura em relação ao uso de recursos públicos para financiar iniciativas envolvendo criptomoedas.






