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Fórum Mundial de Economia Circular mostra a importância do Sul Global para a transição

Redação 1 por Redação 1
11 de agosto de 2023
em Brasil, Economia, ESG
Fórum Mundial de Economia Circular mostra a importância do Sul Global para a transição

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Participar do Fórum Mundial de Economia Circular 2023, na Finlândia, deixou claro que, apesar das diferenças socioeconômicas entre as diversas regiões do globo, as bases da transição circular devem ser as mesmas em todos os países. Entre o presencial e o virtual, o evento reuniu mais de 8.500 pessoas do mundo, evidenciando o trabalho incessante na busca por uma agenda comum para, enfim, materializar um novo sistema econômico. E o Sul Global cumpre um importante papel nisso.

O Circularity Gap Report 2023 mostrou que mais de 90% de todo o material utilizado no mundo ainda é desperdiçado ou perdido e, atualmente, a economia global é apenas 7,2% circular. A taxa era de 9,1% em 2018 e de 8,6% em 2020 – ou seja, deveríamos estar avançando nos índices de circularidade, mas estamos retrocedendo. Apesar de termos aumentado os esforços para redefinir os modelos de produção e consumo ao longo dos últimos anos, os índices de extração de matéria-prima continuam crescentes.

O relatório de 2023 também apontou que, para a atividade humana voltar a estar dentro de limites seguros para o planeta, é preciso que a extração e o consumo global de materiais seja reduzido em um terço. A taxa de crescimento do uso de recursos supera, de duas a três vezes, os ganhos de eficiência e recuperação de materiais secundários.

A nível macro, devido a um senso de urgência mais elevado na Europa pela escassez de recursos e a necessidade de fomentar novas oportunidades de empregos e negócios, a região já coloca a economia circular como prioridade número um em seu plano de desenvolvimento, o que ainda não é o caso da América Latina e outras regiões. Mas, com cadeias produtivas cada vez mais globalizadas e um mundo altamente conectado e interdependente, empresas e governos, em diferentes lugares, estão se unindo na busca dos benefícios da economia circular.

Neste sentido, um dos temas mais debatidos no fórum por especialistas de todas as regiões foi a relevância de ambientes de confiança estrategicamente mediados para que os elos da cadeia produtiva conversem entre si. Isso permite a troca de informações estratégicas e confidenciais, de forma que consigamos sair da superfície e alcançar discussões mais profundas, mudar processos e agregar indicadores de performance e diversas áreas dos negócios na tomada de decisões.

A discussão se voltou muito para o ‘como’ fazer e, portanto, para a importância do “articulador independente”: este transition broker ou “orquestrador” que deve ser capaz de mediar os interesses das diferentes partes, estimular a colaboração e facilitar soluções baseadas em uma agenda comum entre todos. Caso contrário, ficaremos restritos a negociações tradicionais, sem a construção de pontes e alianças que não podem ser apenas bilaterais. São as soluções sistêmicas que precisam ser facilitadas para que as cadeias reversas sejam construídas com base em um novo equilíbrio econômico.

A reflexão trouxe o papel de liderança das empresas e a união do Sul e do Norte global num aprendizado mútuo. Eventos paralelos ao fórum discutiram o trabalho essencial e as conquistas desses articuladores em vários países, mesmo que tenham níveis de maturidade diferentes na economia circular.

Sem um arcabouço favorável, capaz de estimular novas relações comerciais e processos, nem a tecnologia nem novos instrumentos financeiros – encarados por muitos como as verdadeiras soluções – serão capazes de promover a mudança. O compartilhamento de informações e a infusão de capital do Norte Global pode ajudar a moldar políticas e regulamentações para a transição circular no Sul Global.

É o caso do acordo estabelecido entre o governo da Finlândia e o Fundo de Desenvolvimento dos países Nórdicos que, juntos, alocaram 4 milhões de euros para constituir o ACEF (The Africa Circular Economy Facility). Trata-se de um fundo multi-doadores administrado pelo Banco de Desenvolvimento da África, com o objetivo de estabelecer um arcabouço favorável para o desenvolvimento da economia circular na região. As metas consistem em criar agentes de transição, capacitar o mercado, apoiar a construção de políticas públicas e o desenvolvimento de negócios.

Fortalecemos, assim, relações multilaterais e compreendemos quais devem ser os movimentos top-down e bottom-up necessários para a transição acontecer, independente da realidade geográfica. Uma inteligência compartilhada nos mostra as barreiras culturais, os diferentes estilos de vida, as políticas e incentivos mais adequados para cada região.

Em um evento como o Fórum Mundial de Economia Circular, não surpreende que, além do debate público, as grandes conversas tenham acontecido “por trás das cortinas”, entre um painel e outro. No entanto, é tempo de reverberar os dados alarmantes, de ser exemplo na transição circular, de puxar outros atores e segmentos para andarem juntos.

Há especialistas e grandes profissionais trabalhando continuamente por isso em todos os cantos do mundo. Ouçamos os agentes de transição do Sul global que estão com a mão na massa, facilitando as conversas, prontos para quebrar as barreiras e transformar a mentalidade da economia global.

Por: Valor Econômico

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