Um gestor de fundos com padrões ambientais, sociais e de governança (ESG) que evita investir em nações classificadas como antidemocráticas tem um de seus melhores anos, depois que a estratégia o ajudou a evitar colapsos em vários mercados emergentes.
Thierry Larose, gestor da Vontobel Asset Management, administra um fundo de títulos em moeda local de mercados emergentes sustentáveis de US$ 330 milhões. De Zurique, ele monitora os rankings da Freedom House, em Washington, e coloca na lista proibida todos os países identificados como “não livres”. Isso deixa um terço do universo dos mercados emergentes de fora, o que inclui alguns dos maiores países.
Nações ‘não livres’ ficam de fora
Os rankings da Freedom House, com 210 países e territórios, levam em consideração eleições, liberdade de expressão e estado de direito. Entre as nações classificadas como “não livres” estão China, Rússia, Egito, Turquia e Tailândia. A estratégia do fundo é baseada na afirmação de que regimes autocráticos tendem a apresentar mais instabilidade no longo prazo, porque carecem dos pesos e contrapesos tipicamente presentes em democracias mais fortes.
“Essa estrutura de filtragem nos ajudou muito”, disse Larose, que coadministra o fundo com Carl Vermassen para a Vontobel, de controle familiar, e que tem US$ 230 bilhões sob gestão.
A regra do fundo de não financiar regimes autoritários o salvou do colapso na Rússia após a invasão da Ucrânia por Vladimir Putin e de perdas no Egito e na Turquia. Combinado com o rali deste ano nas democracias da América Latina, isso o coloca à frente de 97% dos mais de 5 mil fundos de mercados emergentes de renda fixa monitorados pela “Bloomberg”.
O fundo da Vontobel gerou retornos totais de 17% em dólar em 12 meses, em comparação com 4% no índice de dívida local de mercados emergentes de referência da Bloomberg.
“Se não houver um mínimo de democracia ou liberdade em um determinado país, as chances são altas de que as instituições sejam mais fracas, implicando maior incerteza em todos os níveis e, para os mercados financeiros, maior probabilidade de volatilidade e retornos erráticos.”
THIERRY LAROSE, GESTOR DA VONTOBEL ASSET MANAGEMENT.






