Às vésperas do início do prazo de entrega do Imposto de Renda 2026, um novo golpe envolvendo o uso indevido da chave Pix vinculada ao CPF tem gerado preocupação entre contribuintes e especialistas.
A fraude pode resultar no desvio da restituição para contas de terceiros, sem que o titular tenha conhecimento da movimentação financeira realizada de forma irregular.
Desde 2022, a Receita Federal permite o pagamento da restituição via Pix, desde que a chave informada seja o CPF do contribuinte. Isso com o objetivo de reduzir erros e agilizar depósitos.
Neste ano, o mecanismo ganhou maior relevância com a ampliação do público elegível. Contudo, incluindo trabalhadores de baixa renda, que podem receber valores por meio de um modelo automático conhecido como cashback do IR.
O golpe
Segundo especialistas, o golpe ocorre quando criminosos obtêm dados pessoais de forma irregular, abrem contas em nome das vítimas e vinculam o CPF como chave Pix nessas instituições.
Assim, quando a restituição é processada, o valor acaba sendo direcionado para contas fraudulentas, dificultando a recuperação do dinheiro.
Casos reais evidenciam o problema. A jornalista Amanda Pinheiro de Oliveira relatou que identificou o desvio ao consultar o sistema Registrato, do Banco Central.
Ela afirmou que sua restituição foi enviada para uma conta desconhecida e, mesmo após abrir protocolos e registrar ocorrência, não conseguiu recuperar o valor.
Situação semelhante ocorreu com o porteiro Aldair José Fernandes, que aguardava cerca de R$ 620, mas foi informado de que o pagamento já havia sido realizado.
A advogada Letícia Méier Soares destaca que a vinculação indevida do CPF tem gerado prejuízos e ampliado a insegurança entre contribuintes, especialmente os de menor renda.
Já o advogado Bruno Medeiros Durão afirma que, nesses casos, há indícios de falha na prestação de serviço, com possível responsabilização das instituições financeiras envolvidas.
A Receita Federal reconhece a fraude e afirma que criminosos exploram vulnerabilidades no sistema financeiro para abrir contas com documentos falsos e vincular CPFs de terceiros.
Por sua vez, a Febraban afirma que não é possível cadastrar uma chave Pix CPF em conta de titularidade diferente. Inclusive apontando que muitos casos envolvem engenharia social, como phishing.
Especialistas recomendam que o contribuinte cadastre previamente sua chave Pix com CPF em conta própria, monitore regularmente suas informações e acompanhe o status da restituição.
Caso identifique irregularidades, a orientação é agir rapidamente. Acionando a Receita Federal rapidamente, o banco envolvido e registrando ocorrência, já que as transações via Pix são rastreáveis.






