Em meio ao crescente escrutínio sobre a liquidação do Banco Master, grandes instituições financeiras brasileiras divulgaram uma posição pública de apoio ao Banco Central (BC) após o Tribunal de Contas da União (TCU) iniciar uma inspeção técnica sobre a conduta da autoridade monetária no caso.
Na última sexta-feira (2), o TCU deu início formal a uma inspeção documental para analisar a decisão do BC de liquidar extrajudicialmente o Banco Master, ocorrida em novembro de 2025. O procedimento, conduzido por equipes técnicas da Corte de Contas, visa examinar os fundamentos e o calendário de decisões que levaram à medida considerada “extrema” pelo ministro relator Jhonatan de Jesus.
A movimentação do TCU ocorre após a representação do Ministério Público junto à Corte de Contas, que questionou se o Banco Central teria se precipitado ao adotar a liquidação, sugerindo que soluções de mercado poderiam ter sido exploradas antes da intervenção oficial.
Em resposta, associações do sistema financeiro divulgaram uma nota conjunta em defesa do Banco Central, destacando que a autoridade monetária exerce sua supervisão bancária “de forma técnica, prudente e vigilante”, com foco na estabilidade do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Entre os signatários estão a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) e a Zetta, que representa empresas de fintechs e meios de pagamentos.
A nota reforça que o BC tem papel essencial na prevenção de riscos sistêmicos e que, apesar das pressões institucionais e políticas desencadeadas após a liquidação do Master, sua atuação técnica e independente deve ser preservada.
O caso Master ganhou grande repercussão após a descoberta de irregularidades em operações que envolveram a emissão de títulos lastreados em ativos duvidosos, levando à decretação de liquidação e à abertura de investigações criminais pela Polícia Federal — incluindo a Operação Compliance Zero.
O ambiente político também tem respondido ao episódio. Parlamentares de diferentes correntes têm cobrado explicações e demandado debates sobre a eficácia da supervisão financeira no Brasil, aprofundando ainda mais o escrutínio das decisões do Banco Central.
Até o momento, o TCU segue com a inspeção em andamento, que inclui a análise de documentos e justificativas enviados pelo BC, e ainda não há previsão para uma conclusão ou deliberação formal sobre eventuais recomendações ou determinações ao regulador.






