A JBS, maior empresa de carnes do mundo, anunciou que deixará de adotar a meta de neutralidade das emissões de gases de efeito estufa que abrangia toda a sua cadeia de fornecedores. A mudança elimina o compromisso relacionado às emissões de Escopo 3 — geradas principalmente pela criação de gado e por fornecedores indiretos — e concentra a estratégia climática da companhia nas emissões diretas de suas operações e no consumo de energia.
Com a revisão, a empresa passa a focar na redução da intensidade das emissões de Escopos 1 e 2 em 30% até 2030 e em 70% até 2050, tendo como base os níveis de 2019. Essas emissões, porém, representam apenas uma pequena parcela da pegada de carbono da companhia, enquanto a maior parte está associada à cadeia de fornecimento de bovinos. Segundo a JBS, a mudança busca estabelecer metas consideradas mais mensuráveis e sobre as quais a empresa possui controle operacional direto.
A decisão provocou críticas de organizações ambientais, que afirmam que o abandono da meta enfraquece os compromissos da companhia no combate às mudanças climáticas e ao desmatamento. Entidades como o Greenpeace classificaram a medida como um retrocesso, destacando que as emissões ligadas aos fornecedores representam a maior parte do impacto ambiental da empresa.
Em resposta, a JBS afirmou que continuará investindo em iniciativas voltadas ao monitoramento da cadeia pecuária, ao combate ao desmatamento ilegal e ao uso de tecnologias para rastrear fornecedores. A companhia reiterou que permanece comprometida com a redução de seu impacto ambiental, mas defendeu que metas relacionadas às emissões indiretas dependem de fatores que extrapolam seu controle operacional.






