Em meio a um cenário marcado por tensões comerciais e avanços significativos na taxa de juros doméstica, o real segue ganhando força sem ser contido pelas medidas protecionistas dos Estados Unidos. A moeda brasileira tem se valorizado de forma sólida, e o dólar acumula uma queda acima de 12% em relação ao real ao longo do ano de 2025.
Queda impactante do dólar em 2025
Desde janeiro, o dólar recuou cerca de 12,3% frente ao real, posicionando-se como uma das moedas que mais se valorizou globalmente — na 8ª posição segundo levantamento da Austin Rating. No primeiro semestre, a desvalorização chegou a 10,7%, resultado impulsionado tanto pelo “tarifaço” americano quanto pela taxa Selic elevada.
Por que o real se fortalece mesmo diante do tarifaço?
A valorização do real está profundamente conectada à política monetária brasileira. Com a taxa Selic em 15% ao ano — o patamar mais alto desde julho de 2006 —, o país tem atraído investimentos estrangeiros orientados à busca por retornos elevados.. “A Selic é o único fator que atrai os investidores para o Brasil”, avalia Mônica Araújo, da InvestSmart XP.
Adicionalmente, o Itaú destaca que o real tem se beneficiado de um ambiente externo favorável, com o dólar em fraqueza global. Mesmo assim, os efeitos do tarifaço e as incertezas fiscais internas atenuam o ritmo de valorização da moeda brasileira.
O que é o tarifaço e seu impacto limitado
O chamado “tarifaço” refere-se à série de medidas protecionistas anunciadas pelo governo dos EUA, com sobretaxas que chegaram a até 50% sobre produtos brasileiros. Apesar disso, o real não se enfraqueceu; ao contrário, o dólar continuou em queda. Desde o início de agosto, o dólar caiu quase 2%, retornando a patamares abaixo de R$ 5,40, algo não registrado em mais de um ano.
Riscos e expectativas para o futuro
Apesar dos fortes ganhos, analistas alertam para a fragilidade do fluxo de capitais que sustenta essa valorização. Economistas como Danilo Coelho destacam que os recursos estrangeiros atualmente atraídos são majoritariamente voláteis e não indicam investimento de longo prazo, como em infraestrutura.
Além disso, se o Banco Central dos EUA (Fed) iniciar cortes na Selic americana — possivelmente já em setembro —, o real pode ganhar ainda mais impulso. Por outro lado, pressões políticas e fiscais internas, além de possíveis reduções na Selic brasileira, tendem a limitar a trajetória de queda do dólar






