As ações de tecnologia sofreram uma forte onda de vendas em Wall Street nesta quinta-feira (5), levando o Nasdaq a caminhar para sua maior queda diária em 19 meses. O movimento foi provocado principalmente pelo aumento das preocupações de que mudanças no cenário político dos Estados Unidos possam resultar em regras mais rígidas para a inteligência artificial e dificultar a expansão dos data centers que sustentam o atual ciclo de investimentos no setor.
O Nasdaq Composite chegou a cair mais de 5% durante o pregão, aproximando-se de uma correção técnica após acumular uma desvalorização superior a 10% em relação ao recorde registrado no início de outubro. O Nasdaq 100 também sofreu fortes perdas, enquanto cerca de US$ 2 trilhões em valor de mercado foram apagados do índice durante a sessão.
O setor de semicondutores esteve entre os mais atingidos. As ações da Nvidia registraram queda próxima de 9%, enquanto o índice Philadelphia Semiconductor chegou a recuar mais de 10%. Outras gigantes da tecnologia, como Amazon, Meta e Alphabet, também ficaram sob pressão, ampliando a aversão ao risco entre os investidores.
A Tesla esteve entre os destaques negativos do pregão, com uma queda ainda mais intensa. Empresas ligadas à infraestrutura de inteligência artificial, operadores de data centers e companhias do setor de energia que se beneficiam do crescimento da demanda elétrica provocada pela IA também registraram perdas expressivas.
A reação negativa do mercado ganhou força após o resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. A vitória dos democratas aumentou entre os investidores o temor de que novas autoridades e legisladores adotem uma postura mais restritiva em relação à expansão da infraestrutura necessária para o desenvolvimento da inteligência artificial.
Nos últimos meses, grandes empresas de tecnologia anunciaram investimentos bilionários na construção de data centers e na aquisição de chips avançados. Esse movimento ajudou a impulsionar as ações de companhias ligadas à IA, especialmente fabricantes de semicondutores e empresas fornecedoras de infraestrutura.
Agora, parte do mercado passou a questionar se a expansão poderá continuar no mesmo ritmo. Projetos de novos data centers têm enfrentado resistência em algumas regiões dos Estados Unidos, principalmente devido a preocupações com o elevado consumo de energia e água, além dos possíveis impactos sobre as tarifas pagas pelos consumidores.
A possibilidade de regras mais rígidas ou de obstáculos locais à construção dessas instalações aumentou as dúvidas sobre a sustentabilidade do ciclo de investimentos. Para investidores, uma desaceleração na expansão dos data centers poderia reduzir a demanda futura por chips, servidores, equipamentos de rede e energia.
A preocupação ocorre em um momento em que o mercado já vinha reavaliando os elevados gastos das grandes empresas de tecnologia com inteligência artificial. Companhias como Alphabet, Amazon, Meta e outras gigantes do setor anunciaram investimentos cada vez maiores em infraestrutura, enquanto investidores passaram a cobrar resultados financeiros mais claros para justificar o volume de recursos destinados à nova tecnologia.
O movimento desta quinta-feira também reacendeu o debate sobre as avaliações das empresas ligadas à inteligência artificial. Depois de meses de forte valorização, ações de tecnologia passaram a sofrer correções à medida que aumentam as dúvidas sobre o retorno dos investimentos e o tempo necessário para transformar os gastos bilionários em receitas e lucros.
A queda se espalhou para outros índices de Wall Street. O S&P 500 também registrou forte recuo, enquanto o Dow Jones foi pressionado pelas perdas das grandes companhias de tecnologia e de outros setores sensíveis ao aumento da aversão ao risco.
Além das preocupações com a inteligência artificial, os investidores acompanharam declarações de autoridades do Federal Reserve sobre a trajetória dos juros. A possibilidade de manutenção de uma política monetária mais restritiva por mais tempo também contribuiu para aumentar a pressão sobre as ações, especialmente as empresas de tecnologia, que possuem avaliações mais sensíveis às expectativas sobre as taxas de juros.
Com o Nasdaq entrando em território próximo de correção, o mercado passa a avaliar se o movimento representa apenas uma realização após o forte rali dos últimos meses ou o início de uma reprecificação mais profunda das empresas ligadas à inteligência artificial.
Por enquanto, a principal preocupação dos investidores está concentrada na combinação entre os elevados gastos do setor, as dúvidas sobre o retorno financeiro da IA e o risco de que uma regulamentação mais rígida ou obstáculos à expansão dos data centers reduzam o ritmo de crescimento esperado para a indústria.
O desempenho das próximas sessões deverá depender da evolução dessas discussões, dos resultados das empresas de tecnologia e dos próximos indicadores econômicos dos Estados Unidos. A divulgação do relatório de emprego americano também está no radar do mercado, por seu potencial de influenciar as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve.






